97
qBC DE DGBH I J KCL NJ IJ O OC P JQJKCL C DRICJ SJ QJKJ J N EP Q RK SREO J DRO
uma professora das escolas móveis, e as crianças começaram já a
frequentar a escola com bastante aproveitamento, sobretudo da Lúcia.
Lá foram as crianças na sua piedosa romaria todos os dias 13 de
cada mês à Cova da Iria, exceto em agosto, em que foram presas.
Dizem que viram sempre a Senhora, que a Lúcia falou sempre com Ela,
que lhe pediu algumas curas e conversões; que a Senhora lhe prometeu
curar e converter uns, outros não. Que lhes recomendou sempre que
rezassem o terço, e lhes disse que queria naquele sítio uma Capelinha
dedicada à Senhora do Rosário. Que haverá em tudo isto? As crianças
não mentem, estou certa disso, creem que viram o que afirmam ter visto.
Sugestão nervosa então?... Talvez, mas as crianças parecem-me robustas
e sadias, e nem sequer mostram os mais leves sintomas de nervosismo,
e mesmo o meio em que vivem parece-me pouco próprio a sugestões
deste género.
Uma exploração como muitos dizem!? ... Mas com que fim? Os pais
das crianças são (no meio em que vivem) abastados, e elas não recebem
donativo algum; repelem mesmo altivamente quem lho ofereça, dizendo
não precisarem de dinheiro.
Se há até quem diga que é uma mulher que explora este caso!! Uma
mulher, mas que mulher? Onde está ela? Com que intenção, como o
explora? Confesso que não percebo, a minha compreensão não atinge
tanto. Na Fátima nem sequer há onde se gaste dinheiro, não será pois
também o comércio dali que pense em explorar o caso, pois parece-me
que bem pouco ganhou com a concorrência ali! Outros foram mais longe,
pretenderam até que as obras feitas na Igreja da Fátima eram já custeadas
pelas esmolas que às crianças tinham sido dadas! Maldade? Ignorância?
Ou o quê? É certamente vontade de querer dizer mal e de querer ver
coisas que não existem. As obras da Igreja já estavam adiantadíssimas
quando da primeira aparição e lá têm continuado sem necessitar de
recorrer a explorações.
E posta de parte a ideia de toda e qualquer exploração, resta só a da
sugestão nervosa, e essa ponho-a eu de parte desde que vi as crianças
e lhes falei. Que há pois? Não sei, não posso, nem devo dizer nada, a
Igreja o dirá.
Mas seria por sugestão que as crianças previam os fenómenos, que
anunciavam para dias certos com tanta antecedência? E que poder de
sugestão tiveram essas três crianças ignorantes, para sugestionar tanta e
tanta gente, que ali foi, só chamada pela palavra delas? Há aqui algo de
extraordinário.
Doc. 17 1917-10-p.19