96 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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nosso povo que é bom, ainda alguma coisa se pode fazer e que ele pelo
seu ideal é capaz de trabalhar e de se sacrificar com amor, alegria e
entusiasmo. – E para prova, era vê-los marchar pelas lamas, pelas
estradas encharcadas, pelas pedras escorregadias, alegres, sem
desfalecimento, cheios de coragem, ora entoando alegremente o “Avé”
e outros cânticos, ora recitando piedosamente o terço em comum.
Certamente deste povo ainda se pode esperar um ressurgimento.
Voltei à Fátima no dia 19 de outubro, fui ver as crianças e falar com
elas. Foi connosco um sacerdote que já por vezes as tinha interrogado,
sendo interessantíssimos esses interrogatórios.
Ao contrário do que sucedera a algumas pessoas, agradaram-me
imenso as crianças, que são robustas, sadias, alegres, francas e
simpáticas, com uma desenvoltura própria da sua idade. Não fugiram
de nós, antes nos receberam amavelmente. Assistimos a um demorado
interrogatório, feito a cada criança separadamente. Respondem
francamente, prontamente, e com a maior singeleza. No entanto vê-se
que gostam pouco de ser interrogadas, que isso as maça, e que só
respondem, por se acharem obrigadas a isso.
A ser certa a visão, haveria uma certa diferença entre a maneira como
ela se revelava a cada criança. Assim, a mais velha Lúcia era de certo a
mais privilegiada, via, ouvia e falava com a aparição, fazendo-lhe pedidos
e perguntas, e obtendo respostas. A mais novita, Jacinta, via e ouvia a
Senhora mas nunca lhe falou, nem esta se lhe dirigiu diretamente. O
rapazito, Francisco, via a Senhora, mas nunca a ouviu falar nem sequer
a viu mexer os lábios, e nunca A viu tão distintamente como em 13 de
outubro.
Interrogámos as crianças, para saber como se tinha dado a primeira
aparição. Responderam com simplicidade que no dia 13 de maio, quando
na Cova da Iria andavam apascentando o seu rebanho, fez uma grande
trovoada. Pensavam em juntar o rebanho e irem-se embora, quando
dum relâmpago viram aparecer uma Senhora. Amedrontados, quiseram
fugir, mas a aparição disse-lhes que não fugissem, pois nenhum mal lhes
faria. Antes de começar a trovoada as crianças estavam rezando o seu
terço, e a aparição recomendou-lhes que rezassem o terço à Senhora
do Rosário, para abrandar a guerra, e que voltassem ali todos os meses,
pois durante seis meses consecutivos ali viriam. As crianças voltaram ali
em junho e dizem ter-lhes aparecido a Senhora que desta vez lhes
recomendou que aprendessem a ler, o que as crianças não fizeram logo,
porque não havia nem nunca houve professora na Fátima. Agora, sem