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c Avé, e outros cânticos, sendo um à Senhora da Carrasqueira,
de que ainda não consegui obter a letra, cântico feito pelo povo; outras
rezavam o terço. Chegaram as crianças e começaram a rezar o terço
que a mais velha meditava; rezaram depois a Ladainha. De repente, sem
que o céu se toldasse, sentiu-se uma diferença na temperatura, viu-se
que a intensidade do calor do sol tinha diminuído, e viram-se no chão as
manchas amarelas que também se notavam sobretudo nas blusas brancas
que algumas senhoras tinham. Foi um só instante, tudo passou
rapidamente. O povo, como em Agosto, caiu por terra de joelhos,
manifestando a sua fé.
Em agosto não havia ali um só padre, não queriam que se dissesse
que eles iam ali sugestionar o povo; em setembro vi lá alguns, mas todos
procuravam ver os fenómenos naturais e convencer-se de que só isso
havia. Nada diziam, quase não falavam ao povo, a não ser que com eles
falassem, e a um ouvi eu, ao passar, que não se devia nem afirmar nem
dar crédito por enquanto àquelas coisas.
Eu só vi o ligeiro eclipse de sol, mas muitas pessoas viram uma estrela,
ou antes uma pequeníssima nuvem, como que um pequenino floco de
algodão branco, que qual estrela cadente, atravessou o firmamento, vinda
do nascente para o poente, e desapareceu no espaço como que
submergida de repente! Ouvi isto a mais de uma pessoa, contado da
mesma maneira, sem que estas pessoas estivessem juntas ou ouvissem
as outras contar. Merece-me pois todo o crédito. Coincidiu esta
passagem da nuvem ou estrela por cima da carrasqueira, com a hora a
que as crianças dizem ter visto a Senhora.
Houve também quem dissesse ter visto duas estrelas, e algumas
pessoas afirmavam ter visto três! Não seria muita estrela junta?!... Não
sei, mas o que me pareceu foi que os que diziam tê-las visto estavam
convencidos de que diziam a verdade.
Voltámos para as Caldas impressionadas, e o mesmo sucedeu a muitas
outras pessoas que das Caldas lá foram e tanto nos impressionou, que
as pessoas conhecidas que a nossa casa foram saber novas, fizeram
logo tenção de ir à Fátima em outubro. E no entanto nós afirmávamos a
todos nada ter visto, senão um leve eclipse de sol e uma extraordinária
manifestação de fé.
Chegou o dia 13 de outubro e apesar da manhã estar feia e chuvosa,
e de ter chovido durante a noite, o que não sucedia há meses, e que era
portanto já uma graça que Deus nos fazia, pois os campos estavam
sequíssimos; enchemo-nos de coragem e lá partimos para a Fátima. Ao
chegarmos a Torres Novas chovia torrencialmente. No entanto
Doc. 17 1917-10-p.19