91
õö÷ øù÷úöûüýúüþ ýü÷÷ü ûÿûüýúÿ ÿùM ûÿ÷ ùû üýÿûü ÷ù÷÷ùÿþ ùü
a todos nos fez voltar, e foi-nos dado então, o presenciar a mais
comovente manifestação de fé a que jamais tínhamos assistido.
O povo caindo todo de joelhos de mãos e olhos erguidos ao Céu
implorava Deus e a Virgem; os homens, e era deles a maioria,
descobertos, de joelhos em terra, deixavam correr livremente as lágrimas.
Era realmente impressionante.
Todos olhavam para o Céu, que, uma ligeira nuvem, como que uma
finíssima renda branca, em sítios rosada, cobria. O sol, que por um
instante se escondeu de todo, deixou-nos alumiados por uma luz esquisita,
notando-se umas manchas amarelas no chão e sobre nós todos, e uma
grande baixa de temperatura como sucede quando há um eclipse de sol.
Alguém diz: “Olhem o nevoeiro em volta da carrasqueira!” Olhámos e
efetivamente ele lá estava. Era realmente um nevoeiro? Era fumo? Era
pó?... Poderia ser qualquer destas coisas, mas a mim mais me parecia
fumo que, saindo como que de um perfumador se levantasse do chão
em leves espirais e se desfizesse logo em volta do arbusto.
Alguns, diziam ser pó, que uma leve brisa levantava, mas como
explicar que a brisa só soprasse naquele sítio, e que assim sucedesse
sempre no dia 13 de cada mês?! ... Nessa altura já o sol tinha retomado
todo o seu antigo brilho. De súbito um homem das Lapas (lugar não
longe de Torres Novas) que ali tinha ido só para satisfazer a mulher, e
que não acreditava na possibilidade do milagre, grita banhado em lágrimas:
“Eu vejo, eu vejo a Senhora!!! Olhem, nesta direção entre aquelas duas
nuvens, não a veem?” Todos olhámos na direção indicada mas... nenhum
de nós viu mais do que as nuvens. No entanto o homem cheio de fé
dizia: “Prendam-me se quiserem, mas hei de sempre dizer o que vi”!
A mulher, não viu nada, mas estava radiante por ter sido o marido
quem tinha visto, pois que não acreditava; ela acreditava, não precisava
ver.
Veria realmente este homem alguma coisa, ou seria mera sugestão?
– Não era nem um velho, nem uma criança, era um homem, dos seus
quarenta anos, estava portanto em toda a força da vida e por isso talvez
menos apto a ser sugestionado. Não era um ateu, pois que tinha vindo
da sua casa ao Bairro, lugar ali perto, para ouvir um sermão, mas era um
incrédulo do milagre.
Mais pessoas do povo diziam ter visto, mas o que viam? Não sei,
mas daqueles com quem falei o que mais me impressionou foi o homem
das Lapas.
Fui para a Fátima sem ter a presunção de ver Nossa Senhora, embora
acreditasse que Ela poderia bem mostrar-se às crianças, e às almas
Doc. 17 1917-10-p.19