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8ª – Leu a história da aparição de La Salette diante da Lúcia e de
outras crianças?
– Só diante da Lúcia e dos outros meus filhos.
9ª – A Lúcia falava às vezes na história de La Salette, mostrando de
qualquer modo que essa história tinha produzido grande impressão no
seu espírito?
– Nunca lhe ouvi dizer nada a esse respeito, se bem me recordo.
10ª – Quando as crianças foram presas pelo administrador de Vila
Nova de Ourém foi alguém reclamar que as restituissem aos pais?
– Um irmão do Francisco e da Jacinta foi falar com elas a casa do
administrador. A senhora do administrador perguntou se ia buscar as
crianças, ao que ele respondeu negativamente. O próprio administrador
as veio trazer à Fátima.
11ª – Tem vindo muita gente ver sua filha?
– Tem vindo muita gente quase todos os dias.
Concluído este interrogatório, convidei quatro indivíduos dignos de
todo o crédito a assistir como testemunhas ao interrogatório da Lúcia:
Anastácio da Teresa5, Gonçalves da Silva6 e Manuel Henriques7, todos
de Aljustrel, e Francisco Rodrigues8, da Moita do Martinho.
Imediatamente dei príncipio à inquirição da vidente.
1ª – Disseste-me há dias que Nossa Senhora queria que o dinheiro
oferecido pelo povo fosse levado para a igreja da freguesia em dois
andores. Como é que arranjam os andores e quando é que eles devem
ser levados para a igreja?
5 Anastácio Vieira, de Aljustrel. Padrinho de batismo de Lúcia, casado, a 29 de
novembro de 1882, com Teresa de Jesus, tia paterna e madrinha de batismo de
António dos Santos, pai de Lúcia.
6 Manuel Gonçalves da Silva, residente em Aljustrel, casado com Maria dos
Prazeres.
7 Pode tratar-se de Manuel Henriques, nascido em 1850, casado com Maria
Violante, então residente em Fátima, ou de seu filho, também Manuel Henriques,
nascido a 15 de fevereiro de 1891, que veio a casar com Maria dos Anjos.
8 Filho de António Carreira Ribeiro e de Rosa de Jesus Ribeiro. Nasceu na Moita
do Martinho, freguesia de S. Mamede, concelho da Batalha, a 19 de novembro
de 1865. Casou com Maria da Cunha. Faleceu a 18 de janeiro de 1919. No Rol
dos Confessados de 1917, não consta nenhum Francisco Rodrigues, mas sim
Francisco Ribeiro. Deve tratar-se de um lapso do autor.
Doc. 11 1917-10-p.11