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presentes viram esses sinais. Uma nuvem baixou até à carrasqueira. Em
julho notou-se o mesmo. Não havia poeira no local. A nuvem empoou
os ares, que pareciam enevoados.
– Houve mais algum sinal?
– Veem-se no céu, próximo do sol, umas nuvens brancas que se
tornam sucessivamente vermelhas vivas (cor de sangue), cor de rosa e
amarelas. O povo torna-se desta última cor. A luz do sol diminui bastante
de intensidade.
Sentiu-se também um rumor em julho e em agosto.
4ª – Suspeita-se de alguém que tenha induzido as crianças a
representar uma comédia?
– Não, nem isso é verosímil.
5ª – Tem vindo muita gente de fora ver as crianças e falar com elas?
– Têm vindo inúmeras pessoas de toda a parte.
6ª – Elas aceitam o dinheiro que lhes queiram dar?
– Têm aceitado qualquer coisa, quando teimam muito com elas, mas
não aceitam por vontade delas.
7ª – As famílias são pobres? Vivem do seu trabalho? Têm
propriedades?
– Não são pobres. São até abastadas. E se a família da Lúcia não o
é mais, isso é devido a circunstância do pai se entregar com frequência
à embriaguês, descurando assim o amanho das suas propriedades.
8ª – Há na Fátima pessoas que tenham estado ao pé das crianças
durante as aparições?
– Em julho estiveram ao pé delas Jacinto de Almeida Lopes3, do
lugar da Amoreira e Manuel de Oliveira4, deste lugar de Montelo.
9ª – O que faz a Lúcia durante o tempo da aparição?
– Reza o terço. Quando se dirige à Senhora, fala alto.
Eu próprio a ouvi em junho, porque estava próximo. Algumas pessoas
afirmam que ouvem o som das respostas.
10ª – O local das aparições é muito frequentado também nos outros
dias por pessoas piedosas ou por curiosos?
– É muito frequentado, sobretudo aos domingos. A maior
concorrência é à noite. Vão ali muitas pessoas, de longe e de perto, e
mais ainda de fora da freguesia. Rezam o terço e entoam cânticos em
honra da Virgem.
3 Nasceu em 1865. Casou com Maria dos Prazeres.
4 Nasceu em 1867. Casou com Leocádia de Jesus
Doc. 11 1917-10-p.11