610 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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Pergunto a que horas é na matriz:
Às 11!
Demais a mais, num dia tão caro, eu desejaria receber Nosso Senhor.
Deixo ir toda a gente e espero pela missa...
[63] A CAMINHO DE FÁTIMA
Depois de ouvir missa e comungar, almoço e sigo caminho de Fátima,
subindo a íngreme ladeira que durante uns poucos de quilómetros serpeia
pelos cabeços de Ourém, até lá.
O panorama é surpreendente.
A terra cheia de verdura e empapada em água brilha à luz dum sol
envergonhado, fazendo negaça entre nuvens, ainda ameaçadoras de novas
borrascas.
Por toda a parte à beira da estrada, casinhas rústicas afestoadas de
toucar, numa profusão, como nunca vi.
Na parede que circunda um trigal ondeante estrelado de papoulas e
malmequeres um rancho de petizes teve a delicada ideia de encher com
flores campezinas todos os interstícios livres das pedras!
Vamos subindo sempre...
O Castelo de Ourém, o Castelo do Santo Condestável, ergue para o
Céu o seu perfil artístico, coroando o cume da montanha em que assenta.
Aqui são cabeços de mato encantadoramente boleados, arregoados
de vales, cheios de verdura onde serpeiam regatos fugitivos que a chuva
da manhã tornara barrentos e apressados.
Passa veloz, vindo de cima um automóvel que deixa ver dum lado e
doutro carabinas em leque, ameaçadoras...
É o administrador do concelho... e a sua escolta!...
Não a veio fazer boa, diz um rapaz que nos segue em bicicleta,
pedalando...
Há hora e meia já que vimos subindo...
Fátima não está longe!...
Entram de novo a cair pingas de água...
Daí a pouco tempo entrávamos efetivamente no pequeno largo junto
à Igreja.
Por toda a parte carros, carroças e automóveis parados. Uma grande
multidão de gente, alguns milhares de pessoas enchiam o largo e atulhavam
a igreja.