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ÑÒ Tomar não vem ninguém pelos mesmos motivos!
Em muitos concelhos, segundo dizem os respetivos administradores
do concelho, proibiram a saída dos veículos!!...
Estávamos nesta conversa quando nos apareceu um rapazito da J.
C. de Lisboa, dono de uma tipografia para os lados de Belém, e daí a
nada o Dr. Dinis da Fonseca que dormira na hospedaria, pois tinha ali
vindo na véspera defender um réu numa audiência geral.
Peço informações. Também não sabem. Que até à Fá-[61]tima,
parece que deixarão ir, daí por diante não... que ralha o Pai do Céu!...
Tinha levantado a chuva!...
Desço abaixo à rua e começo a ver passar carros, carroças,
automóveis, camions, gente a pé, gente a cavalo, uma verdadeira
romaria!...
– Ah! mas então para que diacho serviu a proibição? Começo eu a
pensar...
Eu pensava que não encontraria ninguém e afinal vejo constantemente
passar homens, mulheres e crianças... num verdadeiro corropio!...
É uma interminável fita de povo!
O HERODES DE OURÉM
Char à bancs enormes, puxados por machos guizalhantes,
carregados de gente a rir pela estrada fora, a rir como perdida, da figura
do administrador que eu vejo agora especado no meio da rua... de
palhinhas, muito embaçado... com um sorrizinho amarelo a desfranzir-
lhe as comissuras dos lábios... carroças engrinaldadas de flores e
automóveis trepidantes com rouquejar forte de sereias ou estridentes
arreda dos auto-boxes, camions pesados e resfolegantes, com seus
tejadilhos amplos repletos de farnéis, e cortinas a dar... a dar!.., caleches
e landaus aristocráticos, modestas carripanas, mulheres e homens a pé,
encharcados, enlameados, com os guarda-chuvas em funeral, escorrendo
água, mas satisfeitos, felizes, com cara presenteira, tudo isso desfilou
diante de mim como uma longa fita cinematográfica!...
Donde vinha tanta gente? De muita parte, mas sobretudo de Torres
Novas, dizem.
Afinal passava-se!... De Ourém pelo menos!
Mas que andaria o administrador com o seu palhinhas, e cirandar
dum lado para o outro?!...
Nova fita?!... Quem sabe!...
Os episódios maravilhosos de Fátima