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eD DeEFGHI JKILHIEFeM A naturalidade e franqueza com que se expressam,
a simplicidade e candura que manifestam, a indiferença e desinteresse
que mostram quanto ao facto de se lhes prestar ou não crédito, a timidez
extrema da Jacinta, as próprias contradições aparentes, facilmente
explicáveis, em que caiem e que excluem em absoluto qualquer
combinação entre as crianças, são tudo indícios de que as crianças
possuem, no mais alto grau, um dos requisitos indispensáveis numa
testemunha para ser fidedigna: a veracidade.
Mas serão as crianças vítimas de uma alucinação? Estarão iludidas,
julgando ouvir, e não ouvindo, julgando ver, e não vendo? Verificar-se-
-á no caso sujeito a hipótese de autosugestão?
Mas como, se nada autoriza semelhante suposição, de todo o ponto
gratuita? Não se trata de uma só testemunha, são três.
Não se trata de adultos, mais sujeitos a alucinações, mas de crianças.
E que crianças! Crianças de tenra idade, dotadas de perfeita saúde, e
que não manifestam o mais pequeno sintoma de histerismo, segundo a
declaração de um médico consciencioso que as examinou
cuidadosamente.
Dar-se-á o caso, não raro sucedido, de uma intervenção diabólica?
O anjo das trevas transforma-se algumas vezes em anjo de luz, para
enganar os crentes. Verificar-se-á isso agora? A Jacinta afirma que o
vestido da Senhora chega apenas aos joelhos. A Lúcia e o Francisco
declaram que desce até próximo dos artelhos. Haverá neste ponto
confusão da parte das crianças, sobretudo por parte da mais nova? Se
não, este ponto torna-se difícil de explicar e resolver.
Nossa Senhora não pode, evidentemente, aparecer senão o mais
decente e modestamente vestida. O vestido deveria descer até perto
dos pés. O contrário, posta de parte a hipótese de um engano das
crianças, aliás admissível, porque podiam não ter reparado bem, não ter
podido examinar perfeitamente o traje da aparição, tanto mais que não
possuem o dom da infalibilidade, o contrário, digo, constitui a dificuldade
mais grave a opôr à sobrenaturalidade da aparição e faz nascer no
espírito o receio de que se trata de uma mistificação, preparada pelo
espírito das trevas. Mas como explicar a concorrência de tantos milhares
de pessoas, a sua fé viva e a piedade ardente, a modéstia e compostura
que mostram em todos os seus atos, o silêncio e recolhimento da multidão,
as conversões numerosas e retumbantes ocasionadas pelos
acontecimentos, o aparecimento de sinais extraordinários no céu e na
terra, verificados por milhares de testemunhas, como explicar, repito,
todos estes factos e conciliá-los com a providência divina e a economia
Doc. 10 1917-09-27