602 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
Por ocasião da última aparição de Fátima, a treze de outubro de
1917, sua irmã Lúcia Maria Ana dos Santos, de vinte anos de idade,
que estava a passar o verão no lugar dos Carrascos, freguesia do Paço,
concelho de Torres Novas, em casa de sua prima Amélia Estêvão, foi
com várias pessoas de família àquela povoação da serra de Minde e
assistiu aos fenómenos maravilhosos que ali se verificaram, pedindo com
o maior fervor e na maior aflição à Santíssima Virgem que se dignasse
curar a irmã. A cura da irmã era a sua grande preocupação de todos os
dias, de todas as horas, de todos os instantes. Era o seu mais ardente
desejo, a graça que mais ambicionava, o favor do Céu que suplicava
com mais vivo empenho e com maior constância. Já no dia treze do mês
anterior tinha ido a Fátima e implorado ardentemente essa graça. Antes
desse dia, ainda em setembro, tinha pedido a um [53] primo seu, Júlio
Neto de Almeida que não se esquecesse de recomendar a sua intenção
às pastorinhas privilegiadas de Fátima. A treze de outubro ela própria
pediu às videntes o auxílio de suas orações e prometeu que a irmã iria à
Fátima agradecer a sua cura se Nossa Senhora se dignasse favorecê-la
com essa graça. Entretanto continuava a orar a Nossa Senhora da Fátima,
alimentando a esperança de ver a irmã curada, apesar das graves crises
por que ela passava e de todos perderem as últimas esperanças de
salvação.
UMA CURA EXTRAORDINÁRIA! DIZ O MÉDICO...
A enferma, quando passados três meses, em junho, se tirou o último
aparelho, como a enfermeira se oferecesse para a levar ao colo até ao
banho, recusou o oferecimento, dizendo que podia ir por seu pé. Um
mês depois já andava sem se encostar a coisa alguma, embora com
dificuldade. Foi depois para Fanhões, nas proximidades de Loures,
regressando a Lisboa passados dois meses. Ali andava apoiada a uma
bengala, vindo de lá a caminhar bem. Antes de sair para Fanhões, foi ao
hospital.
O médico, ao vê-la, ficou estupefacto. Não queria crer que fosse a
mesma pessoa. Interpelou-a, dizendo “Ó rapariga és tu?! Parece um
milagre!”. E logo, como que considerando, acrescentou: “Um milagre,
não uma cura extraordinária, um caso raro.” Depois observou-a
atentamente e disse que a achava boa.