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dor fortíssima, que tinha a sua localização na perna direita, estendendo-
-se desde o quadril até ao joelho. Por vezes a violência da dor atingia o
paroxismo, tornando-se insuportável. Só conseguia sossegar à força de
injeções.
Havia épocas em que não dormia durante noites consecutivas. A
perna estava sempre encolhida e dobrada.
Eram-lhe aplicadas extensões de ligaduras e gessadas. A febre era
constante, mas não muito alta.
Definhava e emagrecia de dia para dia. O apetite desapareceu. Foram-
-lhe receitados vários tónicos – glicerofosfato de cal, xarope iodotânico
e estriquinina, e injeções de diversas espécies – arrenhal, cocodilato e
dinamol.
A sua doença foi diagnosticada de coxalgia, proveniente de uma queda
que a enferma dera, quando ainda criança, de um quarto para um terceiro
andar pela escada. Quando sucedeu esse desastre contava onze anos.
Ficara apenas com a perna magoada e cheia de nódoas negras, que
depressa se desvaneceram sem deixarem vestígios de lesão interna.
Os médicos eram de parecer que a ação do clorofórmio e do éter,
com que foi anestesiada por ocasião das operações tinha posto a
descoberto a doença latente. [DCF, III-2, Doc. 480]
VIA DOLOROSA
Antes da segunda operação as dores não eram tão fortes, e a doente
podia andar, embora com muita dificuldade. Morava então na Rua de
Passos Manuel, próximo do Largo de Santa Bárbara. Ficava a duzentos
passos do hospital. Conservou-se em observação e tratamento durante
um ano, estando ora três meses no hospital, ora seis meses em casa.
Quando estava em casa, ia ao hospital fazer o tratamento, apoiando-
-se a uma sombrinha. Teve de internar-se no hospital umas cinco vezes,
indo ora de trem, ora em maca. Depois de dois anos e meio de
tratamento, no dia um de novembro de 1916, por conselho dos médicos,
saíu do hospital de D. Estefânia para o Sanatório do Outão, na esperança
de que o ar do mar trouxesse algum lenitivo aos seus padecimentos. Foi
transportada até ao Terreiro do Paço num automóvel da Cruz Vermelha.
Passaram-na ao colo para o vapor que fez a travessia do Tejo. Do
Barreiro foi levada nas mesmas condições para o comboio, em que
seguiu para Setúbal. Ali aguardava-a um automóvel, que a conduziu ao
Sanatório.
Os episódios maravilhosos de Fátima