598 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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Novas. Sofria, havia doze anos, duma faringite crónica, rebelde a todo
o tratamento. Os médicos eram de opinião que nunca se curaria
radicalmente. Em treze de outubro de 1917 tinha vindo à Fátima e
presenciado o estupendo fenómeno solar. Em novembro desse mesmo
ano fez a promessa de ir à Fátima agradecer a Nossa Senhora a sua
cura, se ela se dignasse alcançar-lhe essa graça, por que tanto suspirava.
A partir dessa data, apesar de não fazer nenhum tratamento, foi
melhorando pouco a pouco e, passado um ano, em novembro de 1918,
achou-se completamente curado.
[48] SANGUE RUIM!
Um grupo interessante de quatro pessoas uma senhora e três meninas,
– chama a atenção dos circunstantes. Vêm agradecer a Nossa Senhora
a cura, de que uma delas foi objeto. São mãe, duas filhas e uma afilhada.
Residem em Lisboa na R. de D. Estefânia, nº 115, 3º. A mãe chama-
-se D. Amélia Júlia dos Santos, viúva de Carlos Alberto dos Santos.
Uma das filhas, a mais velha, é a protagonista deste comovente episódio.
O seu nome é Maria Manuel dos Santos e tem 25 anos de idade. Esteve
quatro anos como aluna no Colégio de S. Pedro de Alcântara, tendo
entrado em 1910 e saído em 1914. Pertence a uma família rudemente
provada pelo sofrimento.
Muitos parentes próximos têm morrido tuberculosos, entre eles um
irmão com seis anos de idade. O pai morreu louco e um irmão
enlouqueceu há meses, encontrando-se atualmente no hospital dos irmãos
de S. João de Deus, no Telhal.
Concluídos os estudos saiu do Colégio e foi para o Alentejo,
estabelecendo-se como professora particular em Arraiolos, onde chegou
a catorze de outubro de 1914. Poucos dias depois foi acometida dum
ataque de apendicite, tendo retirado para Lisboa por conselho do médico
a vinte e quatro do mesmo mês. Em novembro do ano seguinte sofreu
um segundo ataque, e um terceiro em março. A vinte e oito de maio
entrou para o hospital de D. Estefânia, afim de ser operada. A operação
teve lugar a onze de junho e foi feita pelos drs. Monjardim, Pinto Coelho
e Medeiros. No fim do mês, a vinte e oito, saiu do hospital, sendo
conduzida num trem a sua casa. Esteve pouco mais dum mês em casa,
voltando de novo para o hospital, a quinze de agosto porque o seu
estado de saúde se agravara. Ali esteve até agosto de novembro, dia em