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cabeça, no peito e nas pernas. Uma tosse funda e seca atormentava-lhe
constantemente o peito. Há cerca de três anos e meio deitou sangue
com abundância pela boca durante quinze dias consecutivos. O sangue
deixou de correr depois de instantes súplicas a Nossa Senhora. Muita
gente, vendo o seu estado de fraqueza e abatimento, dizia que ela estava
condenada a morrer em breve, vítima da tuberculose. Durante os últimos
sete meses esteve de cama, paralítica, mal se podendo mover. As dores
que experimentava eram horríveis. Não descansava nem de dia nem de
noite, porque a violência das dores não lhe permitia conciliar o sono.
Porém, no meio dos seus atrozes sofrimentos, nunca perdera a confiança
na proteção da Santíssima Virgem, de quem esperava inabalavelmente
a sua cura.
No dia 23 de março do corrente ano, à tarde, disse à família que
Nossa Senhora lhe tinha aparecido e assegurado que dois dias depois,
às 9 horas da manhã, se poderia levantar do seu leito de dor,
recomendando-lhe que fosse à Fátima e prometendo-lhe que se havia
de curar com o uso da terra do local das aparições. Contra a expetativa
da família, que se recusava a prestar crédito [47] ao que ela dizia,
supondo-a vítima de uma alucinação, no dia 25, à hora marcada, a doente
levanta--se, com grande estupefação de todos, e, montando a cavalo,
parte para a Fátima. Tendo regressado a casa, depois de satisfeitas as
suas devoções e de dadas as devidas ações de graças, faz uma novena.
Rezando o terço e uma estação cada dia e, aplicando a terra do local
das aparições dissolvida em água como remédio para uso externo e
interno, sente-se curada no fim da novena. Atualmente caminha sem
dificuldade, não se cansa com o trabalho, nem sente dores. Todos os
meses desde então tem ido à Fátima, no dia 13, exceto no mês de
setembro, agradecer a Nossa Senhora a sua cura. Manuel Pastilhas e
Maria de Jesus, de Boiceiros, e outras pessoas, que a acompanham,
afirmam tê-la visto em estado lamentável, paralítica e extremamente
magra.
OUTRA CURA
Em torno de mim comprime-se uma multidão enorme. Todos querem
ouvir a narração da cura de Maria da Conceição, mas é impossível. A
custo consigo romper o círculo de ferro que me aperta. Um homem do
povo dirige-se a mim e conta-me a traços largos a interessante história
da sua cura. Chama-se António de Oliveira Dias, tem 58 anos de idade
Os episódios maravilhosos de Fátima