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tão mal que receou perdê-la e por esse motivo voltou-se para a Fátima,
invocou Nossa Senhora do Rosário e fez a promessa de ir com a família
àquela povoação e dar uma esmola em harmonia com as suas posses,
se a mulher se curasse.
A Virgem Santíssima fez-lhe essa graça e ele veio em companhia da
mulher, de um filho e da sogra, cumprir a promessa. Tinha vindo à Fátima,
faz hoje dois anos no dia do grande prodígio.
A alguns metros de distância, do lado da estrada, vê-se avançar de
joelhos em direção à capela, uma mulher do povo. É uma hora e meia:
precisamente meio-dia astronómico. Devem estar presentes mais de duas
mil pessoas. Ao pé de mim uma mulher, profundamente impressionada
com tudo quanto tinha observado, dizia com intimativa que, ainda que
se visse obrigada a sair para fora do país, havia de fazer toda a diligência
por voltar à Fátima.
VIRGEM SANTÍSSIMA, PERDOAI-ME!
Nesta altura um homem bem trajado, que acabava de chegar, rompe
por entre a multidão, que se apinhava em torno da capela, contempla
com ar de troça e compaixão os peregrinos que oram ajoelhados e para
em frente da porta do santuário. Momentos depois, tomado duma
comoção íntima, cai de joelhos e profere, num soluço, esta súplica, que
os circunstantes ouviram distintamente “Virgem Santíssima, perdoai-me!”,
ficando muito tempo em recolhimento profundo.
Um oficial a cavalo avança com precaução por entre o povo a alguma
distância da capela. Pergunto quem é e dizem-me que é o administrador
do concelho. Observa com atenção tudo quanto sucede e passeia
constantemente dum lado para o outro. Parece-me ter empenho em
não faltar aos deveres que a correção impõe a uma pessoa inteligente e
bem educada, apesar das ideias avançadas que me dizem possuir.
[45] MORRERÁ A JACINTA?!...
Chega ao pé de mim Jacinta de Jesus Marto, uma das videntes de
Aljustrel, acompanhada pela mãe. Ambas trajam rigoroso luto por motivo
do falecimento de Francisco Marto, irmão da Jacinta, que também tinha
sido favorecido com a visão da Virgem e que até ao último suspiro
sustentou sempre a verdade das suas narrativas. A pequena está
Os episódios maravilhosos de Fátima