56 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
– Não sei; não a vejo vir de parte alguma; aparece sobre a
carrasqueira, e quando se retira é que toma a direção donde nasce o
sol.
– Quanto tempo se demora? Muito ou pouco?
– Pouco tempo.
– O suficiente para se recitar um Padre Nosso e uma Avé Maria, ou
mais?
– Mais, bastante mais, mas nem sempre o mesmo tempo (talvez não
chegasse para rezar o terço).
– Da primeira vez que a viste não ficaste assustada?
– Fiquei, e tanto assim que quis fugir, com a Jacinta e o Francisco,
mas Ela disse-nos que não tivéssemos medo, porque não nos faria mal.
Disse: “não tenham medo que eu não vos faço mal.”
– Como é que está vestida?
– Tem um vestido branco, que desce até um pouco abaixo do meio
da perna, e cobre-lhe a cabeça um manto, da mesma cor, e do mesmo
comprimento que o vestido.
– O vestido não tem enfeites?
– Veem-se nele, na parte anterior, dois cordões dourados, que descem
do pescoço e se reunem por uma borla, também dourada, à altura do
meio do corpo.
– Tem algum cinto ou alguma fita?
– Não tem.
– Usa brincos nas orelhas?
– Usa umas argolas pequenas e de cor amarela.
– Qual das mãos segura as contas?
– A mão direita.
– Eram um terço ou um rosário?
– Não reparei bem.
– Terminavam por uma cruz?
– Terminavam por uma cruz branca, sendo as contas também brancas.
A cadeia era também branca.
– Perguntaste-lhe alguma vez quem era?
– Perguntei, mas declarou que só o diria a 13 de outubro.
– Não lhe perguntaste de onde vinha?
– Perguntei de onde era, e ela respondeu-me que era do Céu.
– E quando foi que lhe fizeste essa pergunta?
– Da segunda vez, a treze de junho.
– Sorriu-se alguma vez ou mostrou-se triste?