576 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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O que fiz foi contar tudo o que a Senhora me disse, exceto o segredo, e
talvez por esse motivo o senhor administrador ficasse julgando que eu
lhe tinha revelado também o segredo.
– A Senhora mandou-te aprender a ler?
– Mandou, sim, da segunda vez que apareceu.
– Mas se a Ela disse que te levaria para o Céu no mês de outubro
próximo, para que te serviria aprenderes a ler?
– Isso não é verdade: a Senhora nunca disse que me levaria para o
Céu em outubro, e eu nunca afirmei que ela me tivesse dito tal coisa.
– O que declarou a Senhora que se devia fazer ao dinheiro que o
povo deposita ao pé da azinheira na Cova da Iria?
– Disse que o devíamos colocar em dois andores, levando eu, a
Jacinta e mais duas meninas um deles, e o Francisco, com mais três
rapazes, o outro, para a igreja da freguesia. Parte desse dinheiro seria
destinado ao culto e festa da Senhora do Rosário e a outra parte para
ajuda de uma capela nova.
– Onde quer ela que seja edificada a capela? Na Cova da Iria?
– Não sei: ela não o disse.
– Estás muito contente por Nossa Senhora te ter aparecido?
– Estou.
– No dia treze de outubro Nossa Senhora virá só?
– Vem também São José com o Menino, e pouco tempo depois,
será concedida a paz ao mundo.
– Nossa Senhora fez mais alguma revelação?
– Declarou que no dia treze fará um milagre para que todo a povo
acredite que ela realmente aparece.
– Por que razão não raro baixas os olhos deixando de fitar a Senhora?
– É que ela às vezes cega.
– Ensinou-te alguma oração?
[20] – Ensinou; e quer que a recitemos depois de cada mistério do
rosário.
– Sabes de cor essa oração?
– Sei.
– Diz lá...
– Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno e aliviai as
almas do Purgatório, principalmente as mais abandonadas. [DCF, I - Doc.7]