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– Traz brincos nas orelhas?
– Não sei, porque também não se lhe veem as orelhas.
– Qual é a posição das mãos?
– As mãos estão postas à altura do peito, com os dedos voltados
para cima.
– As contas estão na mão direita ou na mão esquerda?
A esta pergunta a criança responde primeiro que estavam na mão
direita, mas em seguida, devido à insistência propositada e capciosa da
minha parte, mostra-se perplexa e confusa, não sabendo precisar bem
qual das suas mãos correspondia à mão com que a Aparição segurava o
Rosário.
– O que é que a Senhora recomendou à Lúcia com mais empenho?
– Mandou que rezássemos o terço todos os dias.
– E tu reza-lo?
– Rezo-o todos os dias com o Francisco e a Lúcia.
Meia hora depois de terminado o interrogatório de Jacinta de Jesus,
aparece Lúcia de Jesus. Vinha, como já disse de uma pequena
propriedade de sua família, situada a dois quilómetros de distância, onde
tinha estado a vindimar. [16] Mais alta e mais nutrida que as outras duas
crianças, de tez mais clara, robusta e saudável, apresenta-se diante de
mim com um desembaraço que contrasta singularmente com o
acanhamento e a timidez excessiva da Jacinta. Singelamente vestida como
esta, a sua atitude não denota e o seu rosto não traduz nenhum sentimento
de vaidade nem de confusão.
Sentando-se, a um aceno meu, numa cadeira, ao meu lado, presta-
-se da melhor vontade a ser interrogada sobre os acontecimentos de
que ela é a principal protagonista, sem embargo de se sentir visivelmente
fatigada e abatida, mercê das visitas incessantes que recebe e dos
inquéritos repetidos e prolongados a que é submetida.
Filha de António dos Santos, de cinquenta anos de idade, e de Maria
Rosa, de quarenta e oito anos, tem um irmão e quatro irmãs, todos mais
velhos do que ela: Maria, de vinte e seis anos, já casada, Teresa, de
vinte e quatro, Manuel, de vinte e dois, Glória, de vinte, e Carolina, de
quinze. Completou dez anos de idade em vinte e dois de março do
corrente ano. Tinha oito anos quando fez a sua primeira comunhão. A
mãe, tipo da mulher cristã, e da boa dona de casa, entregue às lides
domésticas, procurou sempre inspirar aos filhos o santo temor de Deus
e levá-los ao cumprimento de todos os seus deveres morais e religiosos.
Altamente preocupada com os sucessos que atraem a todo o momento
as atenções de milhares de pessoas para a sua pobre habitação, até há
Os episódios maravilhosos de Fátima