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mais velha, onde a mãe me convidou a [13] entrar e sentar-me, convite
a que acedi. A uma pergunta minha sobre o paradeiro da filha, que eu
procurava, respondeu-me que ela andava a vindimar numa pequena
propriedade que lhe pertencia e que ficava dois quilómetros distante.
Alguém se prestou logo a ir chamá-la de ordem da mãe. Entretanto,
as duas crianças mais novas, que tinham regressado do campo, sabendo
pelas vizinhas que eu lhes desejava falar, vieram ter comigo.
São dois irmãos, um menino e uma menina. Chegou primeiro a menina.
Chama-se Jacinta de Jesus, tem sete anos de idade e é filha de Manuel
Pedro Marto e de Olímpia de Jesus. Bastante alta para a sua idade, um
pouco delgada sem se poder dizer magra, de rosto bem proporcionado,
tez morena, modestamente vestida, descendo-lhe a saia até à altura dos
artelhos, o seu aspeto é o de uma criança saudável, acusando perfeita
normalidade no seu todo físico e moral. Surpreendida com a presença
de pessoas estranhas, que me tinham acompanhado e que não esperava
encontrar, a princípio mostra um grande embaraço, respondendo, por
monossílabos, e num tom de voz quase impercetível, às perguntas que
eu lhe dirijo. Momentos depois aparece o irmão, rapaz de nove anos de
idade, que entra com um certo desembaraço no quarto, onde estávamos,
conservando o barrete na cabeça, decerto por não se lembrar de que
devia descobrir-se. Um sinal que a irmã lhe fez nesse sentido não foi
percebido por ele. Convidei-o a sentar-se numa cadeira ao meu lado,
obedecendo imediatamente sem nenhuma relutância.
Principiei sem demora a interrogá-lo sobre o que tinha visto e ouvido
desde maio último na Cova da Iria no dia treze de cada mês durante o
tempo da aparição.
Entre mim e ele estabeleceu-se entre mim e ele o curto diálogo que
segue.
– Que é que tens visto na Cova da Iria nos últimos meses?
– Tenho visto Nossa Senhora.
– Onde é que ela aparece?
[14] – Em cima duma carrasqueira..
– Aparece de repente ou tu vê-la vir de alguma parte?
– Vejo-a vir do lado onde nasce o sol e colocar-se sobre a
carrasqueira.
– Vem devagar ou depressa?
– Vem sempre depressa.
– Ouves o que ela diz à Lúcia?
– Não ouço.
Os episódios maravilhosos de Fátima