568 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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pendia-lhe, rematado por uma cruz de ouro, um lindo rosário, cujas
contas, brancas de arminho, pareciam pérolas. De todo o seu vulto,
circundado de um esplendor mais brilhante que o do sol, irradiavam
feixes de luz, especialmente do rosto, de uma formosura impossível de
descrever e incomparavelmente superior a qualquer beleza humana.
Entre a Aparição e a Lúcia estabeleceu-se um diálogo, que durou
cerca de dez minutos.
A Jacinta viu a Aparição e ouvia distintamente as palavras que ela
pronunciava, dirigindo-se à Lúcia, mas nunca lhe falou nem a Aparição
lhe dirigiu a palavra. O Francisco só via a Aparição, não ouvindo nunca
o que ela dizia à Lúcia, apesar de se encontrar à mesma distância e
possuir um excelente ouvido.
A Aparição convidou nesse dia os três pastorinhos a voltarem todos
os meses no dia treze, durante seis meses consecutivos, àquele local,
vulgarmente conhecido pelo nome de Cova da Iria e situado a pouco
mais de dois quilómetros da igreja paroquial de Fátima, ao lado da
estrada distrital de Vila Nova de Ourém à Batalha. A princípio ninguém
prestava crédito às afirmações das crianças, que eram apodadas de
mentirosas por toda a gente, mesmo pelas pessoas de suas famílias. A
13 de junho umas cinquenta pessoas acompanharam os videntes ao
local das aparições, na esperança de presenciarem o que quer que fosse
de extraordinário. Nos meses seguintes o concurso de curiosos e devotos
aumentou consideravelmente, reu-[9]nindo-se talvez cinco mil pessoas
em julho, dezoito mil em agosto e trinta mil em setembro junto da azinheira
sagrada.
No momento em que se verificava a aparição, inúmeros sinais
misteriosos, de que muitas pessoas fidedignas dão testemunho, se
sucediam uns após outros na atmosfera e no firmamento.
AAparição recomendou insistentemente que todos fizessm penitência
e rezassem o terço do Rosário. Comunicou às crianças um segredo,
que não podiam revelar a ninguém. Prometeu-lhes o Céu.
Pediu que naquele local se erigisse uma capela em sua honra e declarou
que no dia treze de outubro havia de fazer um milagre para que todo o
povo acreditasse que ela realmente tinha ali aparecido. Em treze de
agosto, momentos antes da hora da aparição, as crianças foram
ardilosamente raptadas pelo administrador do concelho, que as reteve
em sua casa durante dois dias, ameaçando-as de morte se não se
desdissessem ou se pelo menos não revelassem o segredo que a Aparição
lhes tinha confiado.