558 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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1930-10-17
Artigo do jornal “A Guarda”1 sobre a carta pastoral de D. José, Bispo de Leiria.
Publ. DCF-V-6, Doc. 1845
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O Senhor Bispo de Leiria acaba de declarar autênticas as aparições
de Nossa Senhora na Cova da Iria e tornar oficial o culto de Nossa
Senhora de Fátima. Há treze anos que na Cova da Iria, se produziram
acontecimentos maravilhosos. Fátima tornou-se o centro de grandiosas
peregrinações, impressionantes pela piedade e pelo número de pessoas,
que as compunham.
O espírito jacobino riu do que chamava a crendice popular. Breve o
desdém se demudou em fúria, e as maiores violências foram criadas
para impedir essa corrente de devotos, que tendo origem em todos os
recantos de Portugal, se adensava, como mar humano, nas ásperas
planícies de Fátima.
As mesmas autoridades encarceram as crianças a quem a Virgem se
dignara aparecer.
Tudo foi baldado. A devoção cresceu, encheu o país todo, e as
maravilhas começaram a operar-se, nas almas, com conversões
retumbantes, nos corpos, com curas extraordinárias. A Igreja sempre
prudente, proibiu o seu clero de se associar às manifestações populares.
Mas a devoção venceu as determinações episcopais.
A Igreja recolheu testemunhos, reuniu factos, observou as
circunstâncias, e nomeou uma Comissão, com o encargo de fazer sobre
eles um estudo demorado e consciencioso.
O resultado desse trabalho aparece agora, na Pastoral do Senhor
Bispo de Leiria, reconhecendo oficialmente, dignas de crédito, as
aparições e declarando legítimo o culto de Nossa Senhora de Fátima.
Esse documento marca um marco luminoso, na vida da Igreja em
Portugal.
1 Jornal semanal fundado, em 1904, por Fernando Pais de Figueiredo.