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imagem da Virgem é levada aos ombros dos servitas para a Capelinha
das Aparições. O majestoso cortejo atravessou por entre o mar de lenços
brancos e coberta de flores, seguida pelos peregrinos que cantavam a
chorar...
Neste momento, três aviões, que despontaram do sul, vieram saudar
a Virgem, baixando tanto, que se viam distintamente os seus tripulantes
acenando os lenços.
Uma cura milagrosa?
Quando a imagem da Virgem ia dar entrada na capela, deu-se um
facto que, apesar de ter passado despercebido da maior parte dos
presentes, impressionou todas as pessoas que o observaram.
Registemo-lo em poucas palavras:
Isabel Ribeiro de Freitas tinha vindo do Porto, pedir a intercessão de
Nossa Senhora de Fátima, na cura de uma paralisia provocada por
desastre que sofrera há dois anos. Andava dificilmente e tinha muitas
dores. Munida do respetivo atestado, foi recebida com o maior carinho
e solicitude no Albergue dos doentes, donde saíu em maca para assistir
às cerimónias da peregrinação.
Comungou, recebeu a bênção especial e já resignada com a sua
sorte, esperava que tudo estivesse terminado, para regressar à terra
natal.
Depois da imagem de a Virgem ter passado junto dela, no regresso à
Capela das Aparições, a doente sentiu-se impelida para fora da maca.
Obedeceu ao impulso e saltou para o chão: estava curada!
Falámos-lhe pouco depois. É uma pobre rapariga do campo, simples
nas maneiras de falar. Tem 21 anos, apenas, e é natural de Bonfim, no
Porto, onde reside.
É ela que nos conta, trémula de comoção, a história da sua doença:
– Foi há dois anos, no Bonfim. Eu estava a lavar a roupa à porta da
minha casa. De repente, a varanda da janela abateu e colheu-me. Fiquei
com um quadril deslocado e mal da espinha. Fui para o hospital, onde
estive quatro meses, mas os “srs. doutores” fizeram-me muitos
tratamentos, mas não me sararam. Saí do hospital, quase sem poder
andar e sempre com muitas dores.
– E sente-se curada?
Circunda o olhar tímido, mas brilhante de alegria, por todas as pessoas
que a rodeavam e exclamou:
– Sim, senhor! Sinto-me outra, graças a Deus.
Doc. 134 1930-10-13