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com viagens dificílimas, acorrem em massa à Fátima.
Onde é que se têm reunido multidões como na Fátima, na melhor
ordem, com o mais profundo respeito?
E não é uma vez por outra. O movimento é contínuo, constante,
aumenta de ano para ano.
A voz do povo responde à voz de Deus.
Os doentinhos acodem ali com tantos sacrifícios, tantos trabalhos!...
Quantas curas admiráveis não se têm dado por intermédio da Virgem
Santíssima?
E quanta resignação não manisfestam os enfermos, embora não tenham
obtido a cura dos seus males físicos?
E se são aos milhares os doentes do corpo que vão a Fátima, em
muito maior número são os aflitos moralmente. Nossa Senhora é a saúde
dos enfermos e o refúgio dos pecadores. Quantos corações transviados
não têm encontrado ali o perdão? Quantos indiferentes e afastados não
têm encontrado ali a fé dos seus pais?
Ah! se os confessionários da Fátima não estivessem rigorosamente
fechados pelo sigilo sacramental – sempre inviolável – que prodígios da
graça não nos contariam!
Bendita e louvada seja a Mãe de Misericórdia!
Deixai-nos ainda fazer outra consideração.
Muitos de vós conheceram o lugar da Cova da Iria, ermo, árido,
sem vida. Tendes visto também as construções que ali se estão a fazer,
que naturalmente exigem muito dinheiro.
Pois bem: até hoje não se abriu uma subscrição, não se pediu uma
esmola, não se fez um apelo, em público ou particular, à caridade dos
fiéis.
As esmolas são oferecidas espontaneamente, quase todas anónimas.
Como é grande a força da fé!
Como é prodigioso o poder da Virgem Santíssima que arrasta as
multidões para uma montanha escalvada e em poucos anos transforma
um local sem vida num centro magnífico de piedade, no mais espantoso
milagre da vida religiosa do nosso tempo!...
Doc. 133 1930-10-13