546 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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O lugar escolhido para as Aparições é pedregoso, sem atrativo de
espécie alguma.
Portugal é rico de belas paisagens, terras verdejantes, panoramas
soberbos.
A Cova da Iria, além de ser uma verdadeira cova, não tinha coisa
alguma que atraísse.
As crianças videntes são humildes criaturas das nossas serras,
modestamente vestidas, sem instrução, não sabendo ler, apenas com
uma rudimentar instrução religiosa.
Não são nervosas, mas afáveis e carinhosas no meio da sua rudez,
amigas da família, obedientes aos pais, alegres...
Não se vislumbra nelas qualquer interesse ou vaidade. Não aceitam
esmolas ou prendas que lhes querem dar. E, quando resolvemos chamar
a Nós a direção das obras e do movimento religioso, entregaram-nos
honradamente, até na mesma espécie, os dinheiros e os objetos de valor
que o povo, no seu ardor, deixava ficar no local das Aparições.
Os seus pais eram remediados de bens e hoje continuam a viver na
sua mediania; viviam do seu trabalho, do seu trabalho continuam a viver.
Nada se alterou na sua vida, passados 13 anos.
As crianças, ora interrogadas em conjunto, ora separadas, respondem
com a mesma precisão, sem contradições sensíveis, aos diferentes
interrogatórios quer oficiais, quer particulares, a que foram sujeitas.
São presas pelo representante da autoridade administrativa,
ameaçadas de serem fritas e nem assim se desdizem.
Nada dizem que seja contra a fé ou costumes segundo a palavra do
Apóstolo: Ninguém que fale pelo Espírito de Deus diz anátema a
Jesus20.
Finalmente os dois irmãos mais pequenos, atingidos pela pneumónica
que ceifou tantas vidas no mundo inteiro, tiveram morte edificante e a
Lúcia, única sobrevivente, abraçou livre e voluntariamente, sem coação
de espécie alguma, depois de obter o consentimento de sua mãe, a vida
religiosa.
São de considerar também as circunstâncias que acompanharam as
visões.
Sendo pequenas, rudes e humildes as crianças favorecidas, devem
existir provas para nós podermos ligar-lhes crédito.
A Senhora, segundo as videntes, aparecia-lhes numa azinheira
20 1 Cor XII, 3.