544 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
ÍÎÏÐÑÎ Ñ ÒÍÓÔÕÑÖ Apesar de o céu estar diáfano e sem nuvens, as crianças,
com receio de alguma trovoada, juntaram o gado e iam retirar-se. Ao
chegarem, porém, perto do ponto onde se encontram atualmente as
bicas de água, fuzila novo relâmpago e, a poucos passos de distância,
de pé sobre uma pequena azinheira no sítio onde está a pequenina e
pobre Capela das Aparições, veem, com espanto, o vulto duma Senhora
de incomparável formosura, envolvida num vestido de alvura puríssima;
um manto, orlado de ouro, cobre-lhe a cabeça e a maior parte do corpo.
O rosto, duma beleza celeste, sobrenatural, apresentava-se sereno, grave
e toldado duma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas à altura do
peito, pendia-lhe, rematado por uma cruz, um lindo rosário.
De todo o vulto, circundado dum esplendor mais brilhante que o sol,
irradiavam feixes de luz.
As crianças aproximaram-se, travou-se um diálogo entre a Senhora
e a mais velha, convidando-os a irem ali todos os dias 13 de cada mês
até outubro.
Como consta do testemunho das crianças e de muitas pessoas, as
aparições foram seis, todas no dia 13 de cada mês, exceto em agosto
que se realizou alguns dias depois por a autoridade administrativa ter as
crianças presas em Ourém.
A Senhora disse-lhes que o seu lugar é o céu, confiou-lhes um segredo
que a ninguém poderão revelar, ensinou-lhes uma pequena jaculatória,
recomendou a recitação do Rosário, aconselhou a Lúcia a aprender a
ler, insistiu na necessidade de oração e penitência para a guerra acabar,
afirmou que Nosso Senhor está muito irritado com os pecados dos
homens e sobretudo com o pecado da carne, ordenou que se edifique
ali uma capela em sua honra e declara que é a Senhora do Rosário...
Como, pouco a pouco, aumentasse extraordinariamente a multidão
e, nesse tempo, estivesse a diocese de Leiria, canonicamente ereta nesse
anob, governada por sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de
Lisboa, D. António Mendes Belo, de santa memória, Sua Ex.cia Rev.ma o
Senhor Arcebispo de Mitilene, hoje venerando Bispo de Vila Real e
então Vigário Geral do Patriarcado, mandou abrir um inquérito.
Tendo nós vindo para Bispo desta Diocese em 1920, não podendo
nem devendo ignorar o que se passou, publicámos a 6 de maio de 1922c
uma Provisão e nomeámos uma Comissão de Rev.os Sacerdotes para
ouvir as testemunhas a favor ou contra na mais ampla liberdade e
apresentar-nos o relatório dos seus trabalhos.
b 17 de janeiro de 1918.