542 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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do dever; são os sorrisos que nos animam e as ameaças que nos aterram.
Ora se os nossos pais da terra nos mostram assim o seu cuidado e
desvelo, não é superior o amor do Pai do Céu que tudo pode – Ele que
vela pelas avezinhas do Céu10 e veste os lírios dos campos?11
Quem de nós não sentiu em si a ação da graça? Esses bons
pensamentos e santas inspirações que iluminam a nossa inteligência...
esses generosos movimentos e piedosos impulsos que incitam a nossa
vontade à prática do bem?
É Deus, o bom pai do Céu quem nos fala...
Quantas vezes essas luzes divinas não nos detêm, quando, prestes a
resvalar numa ação criminosa, nos afastam duma ocasião que nos
perderia?... Quantas vezes a tristeza e o remorso nos fazem envergonhar
dum ato da vida passada e no meio das aflições, das lágrimas, surge a
esperança da regeneração, a visão luminosa do prémio que Deus
promete àqueles que combatem o bom combate12 e perseveram até ao
fim?...13
Tudo isto são inspirações que a bondade divina nos concede
diretamente ou por intermédio da bendita Mãe do Céu.
Além destas graças que são concedidas a todos para nosso proveito
espiritual, há outras concedidas mais raramente a uma ou outra alma,
não tanto para sua utilidade própria, mas para bem da religião, dos
povos, das nações, duma comunidade...
Tais são os dons de milagres, de profecias, as visões sobrenaturais.
Essas graças, concedidas quase sempre só aos santos, por si, não
santificam a pessoa que delas é favorecida, porque a santidade exige
um esforço próprio, uma cooperação continuada, mas aproveitam à
coletividade, às vezes ao mundo inteiro.
Foi o que Jesus quis significar quando pediu ao Pai o grande milagre
da ressurreição de Lázaro como prova da sua divina missão14.
Mas se é próprio do homem errar, porque muito fraca é a sua
inteligência e limitadíssimos os seus conhecimentos, a Santa Igreja, nunca
impondo as visões como de fé católica, exige provas severas para nos
deixar acreditar nelas, embora com fé meramente humana, para nossa
instrução e edificação.
10 Mat VI, 26
11 Mat VI, 28.
12 2 Tim IV, 7.
13 Mat XX, 22.
14 Jo XI, 42.