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¡ ¢ dia, vida, doçura, esperança nossa, salvé! A vós
bradamos, os degredados filhos de Eva, a vós suspiramos, gemendo
e chorando neste vale de lágrimas! Salvé!
Cumprindo o legado de Jesus, ei-la com os Apóstolos esperando a
descida do Divino Espírito Santo, orando com os primitivos cristãos,
tomando parte nas suas aflições6.
E como tem sido Mãe tão carinhosa em todos os séculos!...
Embora fôsse possível contar as areias do mar e as estrelas do Céu,
não era possível enumerar os dons que a Virgem Santíssima, a cheia de
graça7 tem espalhado sobre as almas.
É ver a quantidade de instituições de caridade espalhadas pelo mundo,
criadas sob a sua proteção; é contar os inúmeros templos erguidos em
sua honra – votos de almas e nações agradecidas pelos seus benefícios...
E sem ir mais longe, não saindo da nossa querida Pátria, basta apontar
as capelas, igrejas, monumentos, padrões de glória erguidos pela fé de
nossos pais, tantos e tantos em honra da querida Mãe do Céu, Senhora
da terra portuguesa.
Mas é sobretudo nas horas calamitosas, quando os seus filhos ou as
nações estão para soçobrar, vítimas das suas ingratidões e dos seus
pecados, quando, como diz o profeta8 clamei e não me respondestes,
falei e não me escutastes, que se ouve a voz de Maria, chamando os
homens à penitência como em La Sallete, Lourdes e ultimamente em
Fátima.
Outrora Jeremias, ameaçando os hebreus em nome de Jehovah9
exclamava: num momento pronuncio o decreto de extermínio sobre
um povo e contra um reino para o perder e destruir até às raízes.
Mas, se essa nação fizer penitência dos males pelos quais a ameacei,
arrepender-me-ei, eu mesmo, do mal que tinha resolvido fazer-lhe.
Este cuidado e zelo do Pai do Céu e da nossa Mãe vindo até nós
inspirar-nos, falar-nos, é o que há de mais natural.
Pois poderíamos acaso admitir que um bom pai não fale a seu filho?
Que uma mãe não tenha um carinho para aquele a quem trouxe nas
entranhas e amamentou?
Umas vezes é a linguagem muda, mas nem por isso menos persuasiva,
dum gesto do nosso pai, a lágrima que brota espontânea dos olhos da
6 Act 1, 38.
7 Luc 1, 28.
8 Is LXV, 12.
9 Jeremias XVIII, 7
Doc. 133 1930-10-13