540 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
Deus desce do Céu à terra, assume a natureza humana e morre na Cruz
para nos remir e salvar!...
E mesmo depois da sua Morte fica connosco, cumprindo a sua
promessa1: Eis que estou convosco até à consumação dos séculos!
A esta obra de Redenção e Salvação o Senhor quis associar a sua
Santa Mãe.
Relembremos a agonia no Calvário.
Jesus, como um pai que passa a vida a trabalhar pelos filhos, tinha-
-nos dado tudo sem medida e sem reserva.
Dera-nos a sua doutrina e com ela a luz e a vida. Dera-nos a graça
e com ela o perdão e a ressurreição. Tinha instituído os sacramentos –
outros tantos meios de santificação. Mas o seu amor não está ainda
satisfeito.
Agora que vai morrer, quer dispôr do que lhe resta; ditar o seu
testamento.
Mas Ele tem apenas a sua boa Mãe...
É essa que nos vai legar!
Como é solene aquele momento!
Todos os homens são seus herdeiros: os gentios representados pelos
soldados romanos; o povo judeu, pelos habitantes de Jerusalém que ali
tinham acorrido para presenciar a sua morte; os pecadores, pelos dois
ladrões também crucificados; e os justos, pelas Santas Mulheres que
acompanharam Jesus até ao Gólgota.
João, o Santo Evangelista, é o encarregado de fixar pela escrita as
palavras do Senhor2.
Jesus perdoa ao ladrão arrependido, aos seus carrascos: Pai perdoai-
-lhes3. E depois exclama: eis a vossa Mãe4.
E Maria Santíssima, a Virgem pura, tesouro dos Céus e da terra, a
escrava do Senhor5 – recebe-nos como seus filhos, gerados nas dores
imensas do Calvário!
Prostrados diante de Nossa Senhora não podemos deixar de dizer
como a Santa Igreja, com os cristãos de todos os tempos: Salvé Rainha,
1 Mat XXVIII, 20
2 Jo XIX, 25.
3 Luc XXIII, 34.
4 Jo XIX, 27.
5 Luc 1, 38.