52 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
äåæçè éåêëçìçé íîïêð ëèç ìç ðëêïçñ çé èðìîéêçé òçóåêçôõîé ìçé äçèö÷åçé
dos videntes. As duas crianças mais novas estavam ausentes.
Dirigi-me a casa da mais velha, onde a mãe me convidou a entrar e
sentar-me, convite a que acedi. A uma pergunta minha sobre o paradeiro
da filha que eu procurava, respondeu-me que ela andava a vindimar
numa pequena propriedade que lhe pertencia e que ficava dois
quilómetros distante.
Alguém se prestou logo a ir chamá-la de ordem da mãe. Entretanto,
as duas crianças mais novas, que tinham regressado do campo, sabendo
pelos vizinhos que eu lhes desejava falar, vieram ter comigo. Eram dois
irmãos, um menino e uma menina.
Chegou primeiro a menina. Chama-se Jacinta de Jesus, tem sete anos
de idade e é filha de Manuel Pedro Marto e de Olímpia de Jesus3.
Bastante alta para a sua idade, um pouco delgada sem se poder dizer
magra, de rosto bem proporcionado, tez morena, modestamente vestida,
descendo-lhe a saia até à altura dos artelhos, o seu aspeto é o de uma
criança saudável, acusando perfeita normalidade no seu todo físico e
moral. Surpreendida com a presença de pessoas estranhas, que me tinham
acompanhado e que não esperava encontrar, a princípio mostra um grande
embaraço, respondendo, por monossílabos, e num tom de voz quase
impercetível, às perguntas que eu lhe dirijo. Momentos depois aparece
o irmão, rapaz de nove anos de idade, que entra com um certo
desembaraço no quarto, onde estávamos, conservando o barrete na
cabeça, decerto por não se lembrar de que o devia tirar. Um sinal que a
irmã lhe fez para se descobrir não foi percebido por ele. Convidei-o a
sentar-se numa cadeira ao meu lado, obedecendo imediatamente sem
nenhuma relutância. Principiei sem demora a interrogá-lo sobre o que
tinha visto e ouvido desde maio último na Cova da Iria no dia 13 de
cada mês durante o tempo da aparição. Estabeleceu-se entre mim e ele
o curto diálogo que segue.
– Que é que tens visto na Cova da Iria nos últimos meses?
– Tenho visto Nossa Senhora.
– Onde aparece ela?
– Em cima duma carrasqueira.
– Aparece de repente ou tu vê-la vir de alguma parte?
3 Nasceu em Aljustrel a 31 de maio de 1869. Casou com José Ferreira da Rosa, a
6 de fevereiro de 1888, ficando viúva em 1895. Deste matrimónio nasceram dois
filhos, António Ferreira Rosa e Manuel Ferreira Rosa.A 11 de fevereiro de 1898,
casou com Manuel Pedro Marto. Faleceu, em Aljustrel, a 3 de abril de 1957.