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1930-07-03, Lisboa
Continuação do artigo do jornal “Novidades” sobre a conferência do Dr. Luís
Gonzaga da Fonseca, no Instituto Bíblico, em Roma.
Publ.: DCF, V-5 - Doc. 1631
CARTAS DE ITALIA
FÁTIMA EM ROMA
A Conferência do sr. Dr. Gonzaga da Fonseca
no “Pontífico Instituto Bíblico”
II
Era o dia 13 de maio de 1917. Três pastorinhos de Fátima –Lúcia de
Jesus, – de uns dez anos de idade, – e dois primos, Francisco Marto, de
nove anos, e sua irmã Jacinta, de 7 – guardavam um pequenino rebanho,
no lugar chamado Cova da Iria, a 3 quilómetros da povoação de Fátima.
São simples inocentes como os cordeiros que guardam, – como
aqueles de quem é o reino do Céu! Têm arraigada na alma a piedade
ingénua, a fé convicta que beberam com o leite, e possuem a ciência de
conversar com o céu, aprendida na escola do lar doméstico!
Divina escola, se a família é profundamente, patriarcalmente cristã!
Divina escola, porque é lá o Espírito Santo que – mestre divino – fala e
ensina pela boca do pai e da mãe, e – divino repetidor – imprime no
coração dos filhos as doutrinas escutadas.
Os pastorinhos, pela volta do meio dia, interrompendo os seus
inocentes brinquedos, rezavam, como de costume, o terço de N. Senhora.
Peço, meus senhores, que repareis nestas circunstância – três criancinhas
deixadas a si mesmas, longe do olhar vigilante dos pais, – convidam-se
mutuamente a rezar o terço! Angélica piedade! Dizei se não sabiam
conversar com o céu!
Ai se tivessem já frequentado uma escola neutra! Se tivessem recebido
um banho de verniz – do verniz da civilização moderna ... Teriam o
vestidinho mais à moda; saberiam falar de cinematógrafo e de teatro;
saberiam discutir o modo de imitar as proezas do último malandro
celebrado no alvo cinematográfico; e não saberiam olhar para o céu,
muito menos conversar com Deus! Também dificilmente se sujeitariam a
Doc. 131 1930-07-03