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àáâá ã áàáäáâ. O incêndio alastrava, em pavorosas proporções, de terra
em terra, de continente em continente, ameaçando arrastar no turbilhão
das suas labaredas as nações de todo o globo.
Havia um ano já que chegara a vez do pequeno Portugal que, dia a
dia, via desaparecer os seus filhos e os seus minguados recursos no
vértice pavoroso! ... Por toda a parte lágrimas, dores, desolação, morte.
Senão quando, em meio dos rumores sinistros da guerra, começou a
circular do norte ao sul do país, uma notícia que soava como uma
promessa de paz, um convite que sorria como um arco-íris em meio da
tempestade: A Fátima! Vamos a Fátima!
“Fátima? ...”
“Chi é costui?...”
O erudito alemão – como prescrevem todos os tratados de
metodologia – correria logo a folhear ponderosos dicionários de
Geografia e História, e – em última análise – a novíssima edição dos
Baedekers mais bem informados:
– Fátima – célebre filha de Maomé – nascida em Meca ali por 610...
– Fátima – epónimo donde derivava o seu nome a famosa dinastia
dos Fatimitas, no Século X...
Fátima... Mais nada. E poisando os livros com um desdenhoso
encolher de ombros sentenciou: “A Fátima”?... deve ser o título de algum
novo romance.
E contudo, meus Senhores, hoje o nome de Fátima corre de boca
em boca Portugal inteiro, – passou fronteiras, cavalgou cordilheiras,
atravessou continentes, sulcou oceanos, – e Fátima – mais ou menos
estropiado conhece-se em todas as nações da Europa, e fora dela, nos
Açores e na Madeira – em Angola e Moçambique – nas Índias e na
China, nos Estados Unidos e no Brasil. Fátima conhece-se, bendiz-se
com devoção, celebra-se com entusiasmo.
Não é uma praça forte como Anvers, cuja conquista mostrasse a
potência destruidora dos formidáveis 420; não é uma capital como Paris
que desse que falar dos obuses da Grosse Bertha; não é um Verdun,
padrão eterno de incríveis heroísmos; não é uma Jutlândia assinalada
por mortíferas batalhas navais... Não é nem sequer uma Versailles ou
uma Locarno... onde se firmassem, laboriosamente, laboriosos tratados
de uma paz que não chega nunca. – Não é nada disso e é mais que tudo
isso: – uma fortaleza, uma “testa de ponte”, um ponto estratégico, na
grande, na imane guerra que o céu leva travada com o inferno.
Doc. 130 1930-06-27