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comunhão. Como respondessem afirmativamente, ali mesmo, com Jesus
na mão, lhes fiz um brevíssimo fervorinho de primeira comunhão,
acentuando muito a felicidade de poderem ligar para toda a sua vida a
lembrança deste grande dia ao nome e à peregrinação a Fátima.
As lágrimas corriam-me abundantes, sem que um lenço viesse enxugá-
-las. Iam cair ao chão ou talvez misturar-se às muitas que choravam os
comungantes. Nunca experimentei comoção igual.
Às 9 da manhã, já se tinham dado em Fátima dezanove mil e
quinhentas comunhões. E ainda se deram comunhões até à tarde. Não
há espetáculo igual no mundo todo!
Na cerimónia da tarde, com o Santíssimo exposto, depois da reza
solene do terço, entremeado de fervorosas invocações e cantos
eucarísticos, entoados por aquelas centenas de milhares de vozes, foi
dada a bênção com a custódia individualmente a cada um dos
numerosíssimos doentes. O fervor das súplicas em favor dos pobres
enfermos é coisa que não pode traduzir-se em palavras. O maior milagre
de Fátima é a piedade fervorosa daquelas multidões, a sua fé robusta e
a sua resignação serena mais de admirar nos mesmos enfermos. É por
tal forma impressionante este milagre, que os milagres das curas dir-se-
-ia que nos comovem! Duas pessoas foram curadas, enquanto
presenciávamos aquelas incomparáveis manifestações: uma senhora de
seus 45 anos, um rapaz dos seus 17. Este último passou mesmo rente
de mim, subindo ágil os degraus do altar, para se ir atirar de joelhos ao
pé da estátua da Senhora de Fátima, debulhado em lágrimas.
Acompanhava-o o servita que o assistia.
Terminada a bênção dos doentes, chegou-me a vez de fazer o sermão
de conclusão. Não sei o que disse; sei que falou ali o coração do cristão,
do português, do Padre; sei que falei chorando quase sem interrupção,
e que, apesar disso, as lágrimas não embargavam a voz; sei que aquela
multidão imensa me acompanhava a uníssono nos hinos da gratidão a
Maria, nas súplicas ardentes por Portugal e pela Igreja. Nunca em minha
vida preguei mais sem normas de oratória, nem mais profundamente
comovido!
Mas ainda me era reservada nova comoção, no derradeiro ato da
peregrinação: a despedida da Senhora de Fátima.
A Imagem da Senhora, que na primeira procissão das velas tinham
trazido da sua Capelinha para o altar erguido no pavilhão dos enfermos,
regressava à sua ermida. O trajeto foi longo e forçadamente lento. Os
Srs. Bispos de Leiria e do Algarve lá iam ao pé do andor. Um bom
Doc. 122 1930-05-16