508 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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sacerdotes a sua vez de celebrar. Desta vez éramos 212 os sacerdotes
ali presentes. Já de véspera tinha sido ininterrompida a assistência às
confissões dos peregrinos, e raro seria o sacerdote, se algum houve
naqueles dois centos deles, que não passasse algum tempo a ouvir
confissões.
A missa da comunhão geral começou às cinco horas. Devo dizer a
V. Rev.ª que para mim, o momento mais comovedor de Fátima foi o da
distribuição da Sagrada Eucaristia. Sobre o altar foram consagradas
por várias vezes duas píxides de dimensões, penso eu que nunca vistas,
contendo cada uma 6.000 partículas. Estas não saíram de sobre o altar.
As píxides portáteis traziam-nas os distribuidores da comunhão ao altar,
enchiam-nas, e depois de esvaziadas, tornavam a ir enchê-las. Essas
píxides portáteis têm as tampas divididas ao meio por dobradiças que
permitem distribuir as hóstias, sem que haja perigo de serem levadas
pelo vento.
As linhas duplas dos comungantes enfileiram-se em forma de estrela
para os vários pontos cardeais da Cova da Iria. Eu distribuí sem
interrupção o pão eucarístico por espaço de 2 horas e um quarto. Na
última hora foram meus acólitos, um com a vela resguardada em redoma,
outro com o pratinho de prata doirada, um tenente-coronel, fardado de
grande gala, com numerosas condecorações, que me disse mais tarde:
Eu raras vezes uso estas honrarias. Mas, quando venho a Fátima, venho
assim. É um tributo prestado à Mãe Santíssima, uma profissão de fé e
um exemplo que me julgo obrigado a dar. O outro acólito era um distinto
advogado. Mas o mais interessante é que o primeiro fora meu aluno no
Colégio de S. Fiel, Luís Torquato de Freitas Garcia; o segundo, meu
discípulo em Campolide, o Dr. António Tinoco Madeira.
Vários antigos alunos meus, que me supunham no Brasil e que,
distanciados do púlpito não podiam ver-me, reconheceram-me pela voz,
apesar dos altofónios. Quando depois conseguiram chegar até mim,
abraçaram-me com comovidíssimo agradecimento. Houve até quem
rompesse em soluços.
Mas voltemos às Comunhões. No meio daquelas filas intérminas de
comungantes de todos os sexos, idades e condições sociais, onde, na
mais simpática promiscuidade, se encontravam, lado a lado, ajoelhados
sobre a relva, ou na terra nua, o aristocrata e o camponês, a dama da
melhor sociedade e a pobrezinha quase andrajosa, o estudante da escola
superior e o operário, encontrei, à distância de uma hora
aproximadamente, duas meninas vestidas de primeiras comungantes. A