506 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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Colégio de La Guardia.
Duas palavras sobre Fátima, antes de concluir.
Nunca imaginei que iria encontrar o que vi. Nem creio mesmo que
haja palavra humana, escrita ou falada, que possa traduzir os sentimentos
que se experimentam lá. Só visto! Só visto! Tinha lido pouco antes
“Fátima, a Lourdes Portuguesa” do Dr. Fischer, professor na
Universidade de Bamberg. O livro é notável, o melhor penso eu, de
quantos até aqui se publicaram sobre o assunto, e com a circunstância
de ser escrito por um estrangeiro, que se dirige aos seus compatriotas
alemães, propondo-lhes Portugal como modelo. Mas, depois de lá ir,
tive que confessar: a impressão em mim produzida por aquela leitura foi
nada, em comparação do que lá fui encontrar. Começa a diferença pela
aproximação que encerra o título: “Fátima, a Lourdes Portuguesa”! Estive
em Lourdes por várias vezes, estive em Roma no dia de um dos seus
maiores concursos. Pois declaro que, nem naquela nem nesta, pude
fazer ideia do que depois vi em Fátima.
A começar pelas multidões, que têm que ver as de Fátima, com as
foules de Lourdes?! E com a circunstância que as peregrinações da
Cova da Iria se renovam todos os dias 13 de cada mês, e que em maio
e outubro se repete todos os anos o mesmo espetáculo sem diminuição
ou fadiga, senão com aumento progressivo?
Naquele dia tinha ali diante de mim passante de 250.000 pessoas,
talvez 300.000.
Pois essas multidões não se reúnem numa nação de 50, 60, ou 100
milhões de habitantes; mas num país que escassamente terá uma
população de 7 milhões!
A Cova da Iria tem aliás uma topografia maravilhosamente adaptada
a estas inverosímeis assembleias. Forma um imenso anfiteatro, tão
regularmente traçado, que mais parece aberto geometricamente pela
engenharia, do que espontaneamente cavado pelas forças naturais. Os
rebordos são em suave declive, a ponto de parecerem os degraus de
um imenso anfiteatro. De ao pé do altar, onde eu estava, podia ver, sem
que uma prega ou ondulação o escondesse parcialmente, aquele mar
imenso de cabeças, como do alto da tribuna do César se poderiam ver,
em Roma, as multidões do Coliseu, envoltas nas suas togas ou peplums.
Mas no Coliseu cabiam, quando muito, 80.000 espetadores; aqui
centenas de milhares!
O recinto, quando estiverem terminadas as obras, já hoje muito
adiantadas, será limitado, do lado da entrada pelo extenso Pórtico de