500 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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duma fonte de água abundante no próprio local das aparições, numa
região onde não há nascentes mas só poços com água das chuvas, é um
facto verdadeiramente providencial, se se atender sobretudo à
necessidade imperiosa e urgente que havia de água para os peregrinos,
para os habitantes das imediações do local, para os animais utilizados
na condução dos peregrinos e para as obras grandiosas a realizar na
Cova da Iria e no sítio da futura cidade de Fátima. Forçado pela evidência
empolgante da verdade, Sua Excelência Reverendíssima o Senhor D.
José Alves Correia da Silva, venerando Bispo de Leiria, em mil novecentos
e vinte e dois, depois de ter autorizado na Cova da Iria o culto público
a Nossa Senhora do Rosário, independentemente da realidade ou não
realidade das aparições, nomeou uma comissão canónica para proceder
a um longo e minucioso inquérito sobre os acontecimentos de Fátima. O
concurso de peregrinos, cujo número é incomparavelmente superior ao
dos peregrinos de Lourdes, no decurso de cada ano, apesar das
distâncias, das dificuldades do acesso e da falta de consideráveis
contingentes de elementos estrangeiros, as conversões numerosas e
incessantes operadas não só em Fátima mas em todo o país,
principalmente no dia treze de cada mês, graças [54] a esta devoção
providencial, o afervoramento da Fé e da piedade do povo português
alimentado com a correlativa frequência dos sacramentos da Penitência
e da Eucaristia, a difusão estupenda e sumamente inexplicável do culto
de Nossa Senhora de Fátima na nossa pátria e nos demais países do
mundo, a afluência de esmolas, tantas e tão avultadas, muitas delas, que
permitem a construção imediata dum dos maiores templos da cristandade,
a fundação duma grande Obra de apostolado, reparação e regeneração
que tem espalhado e continua espalhando por toda a parte uma soma
incalculável de benefícios de ordem temporal e de ordem espiritual e,
finalmente, as grandes manifestações de Fé e piedade, de que é teatro a
Cova da Iria ou, para melhor dizer, Portugal inteiro, nos dias treze de
maio e treze de outubro de cada ano e que não têm nada que se lhes
compare no universo, são outros tantos argumentos de grande valor em
prol do ato sobrenatural de Fátima. E como confirmação última, definitiva
e irrefragável, de que a Virgem Santíssima apareceu em Fátima para
salvação de tantas almas, aí está a atestá-lo a longa série de curas
miraculosas, muitas das quais constatadas como tais pelo veredito da
Ciência.