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abona ainda a veracidade das crianças. Essa veracidade é proclamada
por muitas pessoas que as conheciam e as consideram incapazes de
mentir, como pode ver-se em vários documentos que fazem parte do
processo canónico. A circunstância das aparições terem tido o seu início
em maio e terem acabado em outubro, meses especialmente consagrados
pela Santa Igreja em todo o mundo católico ao culto da Santíssima
Virgem, e este último mês precisamente [53] sob invocação do Santíssimo
Rosário e num sábado, dia em que a Igreja também dedica a Nossa
Senhora, e a coincidência da primeira aparição, com a festa portuguesa,
prescrita pelo calendário eclesiástico do Patriarcado, em honra de Nossa
Senhora dos Mártires, cujo ofício e missa parecem uma glorificação
antecipada das maravilhas de Fátima, são bem de molde a causar
profunda impressão em quem vê nos acontecimentos, como se deve
ver, o plano admirável da Divina Providência a desenrolar-se com
suavidade e firmeza, como uma promessa consoladora de graças e
bênçãos. O êxtase que se verificou na Lúcia, pelo menos no dia 13 de
setembro, durante a penúltima aparição, constitui, como efeito de ordem
sobrenatural, um argumento valioso da realidade da aparição. O
fenómeno da nuvem de fumo e o fenómeno solar são factos que não se
podem explicar naturalmente. Muito menos se pode explicar naturalmente
a predição da Lúcia relativa ao fenómeno solar e verificada no dia e à
hora que a vidente designou. As declarações prestadas pelos videntes
nos inquéritos a que a autoridade eclesiástica procedeu e, dum modo
particular, o depoimento da Lúcia, que é, sem contestação, a principal
vidente, no inquérito do Porto, aos dezoito anos de idade40, quando
estava prestes a abraçar como a beata Bernadette Soubirous, a vida
religiosa na Congregação de Santa Doroteia, onde já professou, não
permitem alimentar dúvidas acerca da sinceridade das crianças. Morte
edificante de Francisco Marto e a morte não menos edificante de sua
irmã Jacinta Marto, verdadeiramente extraordinária pelas circunstâncias
que a revestiram, com a confirmação implícita, feita tanto por um como
pela outra, de todas as declarações, que até então tinham produzido,
relativas às aparições, são elementos de prova que não se devem
desprezar. As falsas apari-[53v]ções, a oposição do clero, as
perseguições particulares e oficiais, em que se recorreu a toda a sorte
de expedientes para sufocar o grande movimento nascente de renovação
moral e religiosa que alastrava por todo o país, dum modo inesperado e
assombroso, são, por assim dizer, a contraprova da verdade das
40 Cf. nota 30
Doc. 120 1930-04-13