493
¥¦§¨©ª«¥ ¬ ¨®¨¯¬ ¨ ¬ °±¥°¬²¬³¬ ¨ ¥´©±ª³¬¯ °±¨§´ªμª¬ª¯ ¶ ·¨¸ª²ª¹¥ ¨
aos bons costumes e se toleram complacentemente as licenças mais
desbragadas, os vícios mais abomináveis, a corrupção e a [48v]
imoralidade mais infames. O mal, que já era grande à data da implantação
da República, agravou-se espantosamente durante os primeiros anos
do novo regime, em pleno período revolucionário de perseguição à Igreja
e de dissolução de costumes, pela promulgação das chamadas leis de
família e, dum modo especial, pela autorização do divórcio e pelo
incremento verdadeiramente inaudito da prostituição legal e ilegal,
sobretudo nos grandes centros de população. A vida dos institutos
religiosos, já difícil em face das disposições da legislação civil, mais difícil
se tornava ainda por causa da manifesta hostilidade duma parte do povo
português, desorientado pelas campanhas caluniosas dos órgãos da
imprensa liberal e jacobina contra as Ordens e Congregações religiosas,
particularmente durante o período que precedeu e se seguiu imediatamente
à queda do antigo regime. Fechadas as casas religiosas, pela revolução
de cinco de outubro de mil novecentos e dez, e dispersos os religiosos e
as religiosas que se viram obrigados, na sua quase totalidade, a tomar o
caminho do exílio e a fixar a sua residência em países estrangeiros, a
vida religiosa da população portuguesa sofreu um abalo tremendo, tanto
mais que o clero secular, em quase todas as dioceses, senão em todas,
era reduzido em número e não estava preparado para satisfazer as
exigências cada vez mais crescentes de evangelização cristã e de
formação piedosa. Por outro lado, as ruínas morais e religiosas
acumuladas pela revolução, o flagelo tremendo da epidemia
broncopneumónica, que ceifou muitos milhares de existências na flor da
idade, e a grande guerra europeia, que nos arrebatou o escol da mocidade
masculina, provocaram, com as bênçãos de Deus, uma vasta floração
de almas eleitas que se ofereciam em holocausto para reparação de
tantos males, detendo assim os golpes da justiça divina ofendida.
Impunha-se mais do que nunca, a necessidade de restaurar, de reparar
e regenerar [49] tudo em Nosso Senhor Jesus Cristo, sob a proteção
da Augusta Padroeira da Nação. Segundo as declarações da vidente
Lúcia de Jesus, profetizara com meses de antecedência uma tríplice
aparição da Santíssima Virgem, no dia treze de outubro de mil novecentos
e dezassete, a Rainha do Céu manifestou-se nesse dia memorável
sucessivamente sob três invocações diferentes, a do Rosário, a das Dores
e a do Carmo. Qual a razão desta tríplice aparição? Circunstâncias
verdadeiramente providenciais, que seria longo enumerar aqui, levaram
uma nobre e piedosa dama de Santarém, a Senhora D. Luísa Maria do
Doc. 120 1930-04-13