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j?@A BC ? Avelino de Almeida publicou no número seiscentos e dez,
segunda série, de “A Ilustração Portuguesa”, um relato de que se
reproduz o seguinte trecho, transcrito nos “Episódios Maravilhosos de
Fátima”, pág. vinte e sete: “E, quando já não imaginava que via coisa
mais impressionante do que essa rumorosa mas pacífica multidão animada
pela mesma obsessiva ideia e movida pelo mesmo poderoso anseio,
que vi eu ainda de verdadeiramente estranho na charneca de Fátima? A
chuva, à hora pré-anunciada, deixar de cair; a densa massa de nuvens
romper-se e o astro rei – disco de prata fosca – em pleno zénite aparecer
e começar dançando num bailado violento e convulso, [44v] que grande
número de pessoas imaginava ser uma dança serpentina, tão belas e
rutilantes cores revestiu sucessivamente a superfície solar. Milagre, como
gritava o povo; fenómeno natural, como dizem sábios? Não curo agora
de sabê-lo, mas apenas de te afirmar o que vi... O resto é com a Ciência
e com a Igreja”. Várias vezes este fenómeno se tem renovado, não só
no local das aparições, mas ainda noutros lugares mesmo distantes de
Fátima, e a diversas horas do dia, embora sem se verificarem as mesmas
circunstâncias e sem ter a mesma retumbância que teve em treze de
outubro de mil novecentos e dezassete. O livro “As grandes maravilhas
de Fátima” insere três fotografias do fenómeno solar tiradas num dia
treze por um peregrino a alguns quilómetros da Cova da Iria, pouco
antes do pôr do sol33. Interrogado por um redator do jornal “O Século”,
de Lisboa acerca das perturbações solares observadas em Fátima, o
distinto astrónomo Frederico Oom34 respondeu: “A ser um fenómeno
cósmico, os observatórios astronómicos e meteorológicos não deixariam
de o registar. E eis precisamente o que falta: esse registo inevitável de
todas as perturbações no sistema dos mundos, por mínimas que sejam.
Estas palavras constatam que o fenómeno presenciado em Fátima por
algumas dezenas de milhar de pessoas não deixou vestígios nos aparelhos
astronómicos e meteorológicos, como teria deixado se se tratasse de
um fenómeno puramente natural. Em face do que fica dito, pode concluir-
-se que o fenómeno sucedido no dia treze de outubro de mil novecentos
e dezassete, quer seja de natureza astronómica, quer seja de natureza
meteorológica, é de origem sobrenatural. É sobrenatural, porque não
33 As fotografias não são do fenómeno solar de 13 de outubro de 1917. Foram
tiradas a 13 de maio de 1921, por Alfredo J. de Mendonça.
34 Nasceu a 9 de abril de 1864. Astrónomo Oficial de Engenharia. Em 1891 foi
nomeado para astrónomo do Observatório da Tapada da Ajuda. Em 1919 foi
nomeado diretor do Observatório. Faleceu a 30 de abril de 1930.
Doc. 120 1930-04-13