484 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
O
No dia vinte e sete de setembro de mil novecentos e dezassete, e
portanto com dezasseis dias de antecedência, a vidente Lúcia de Jesus
declarou ao autor do folheto “Os Episódios Maravilhosos de Fátima”,
na presença de várias pessoas, entre elas as senhoras D. Adelaide
Braamcamp de Melo Breyner e D. Maria de Jesus do Rosário, de
Santarém, na própria casa de habitação da vidente, em Aljustrel, que a
Senhora que lhe aparecia tinha dito que no dia treze de outubro faria um
sinal para que todo o povo acreditasse que ela realmente aparecia. A
folhas cinco do inquérito paroquial, no interrogatório sobre a terceira
aparição, que se verificou a treze de julho de mil novecentos e dezassete,
a Lúcia depõe que, tendo dito a Senhora: “Faça um milagre para que
todos acreditem!”, esta respondeu: “Daqui a três meses faço então com
que todos acreditem”.
Esta predição da vidente foi feita por ela a tão grande número de
pessoas que rapidamente voou dum extremo ao outro de Portugal,
atraindo ao local das aparições no dia treze de outubro uma enorme
multidão, computada em cerca de setenta mil pessoas, vindas de todos
os pontos do país. É uma profecia tão conhecida e tornada tão pública,
antes do dia treze daquele mês que ninguém de boa fé pode contestar
que ela tivesse sido feita. E, com efeito, no dia [42v] prefixo, e
precisamente à hora em que a Lúcia anunciava que o sinal se daria,
opera-se um prodígio assombroso – o fenómeno solar – que fez render,
perante a evidência dos factos, dezenas de milhar de crentes, indiferentes
e incrédulos. Seria fácil organizar uma lista interminável de pessoas que
foram testemunhas desse prodígio, assim como reproduzir um sem
número de relatos acerca dele publicados nos jornais da época. Eis
como o autor do folheto “Os Episódios Maravilhosos de Fátima”, que
foi uma das testemunhas oculares, descreve nesse folheto, a páginas 9,
o que presenciou: “No dia treze de outubro, estando presentes cerca de
setenta mil pessoas de todas as classes e condições sociais e de todos
os pontos do país, terminado o diálogo entre a Lúcia e a Aparição, que
lhe declarou ser a Senhora do Rosário, a vidente recomendou aos
circunstantes que olhassem para o sol. O firmamento estava
completamente nublado. Chovia torrencialmente. Como que por encanto,
rasgaram-se de repente as nuvens, e o sol no zénite apareceu em todo o
seu esplendor e girou vertiginosamente sobre si mesmo, como a mais
bela roda de fogo de artifício que se possa imaginar, revestindo