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determinados. Segundo a opinião de professores de ciências naturais
das Universidades de Coimbra e Porto, que foram consultados, só podia
ser produzido casualmente por uma evaporação ou combustão
incompleta, mas não em dias e horas prefixos. O dr. José [41v] Maria
de Proença de Almeida Garrett diz o seguinte acerca deste fenómeno:
“Devia ser uma e meia (treze e meia) quando se ergueu, no local preciso
onde estavam as crianças, uma coluna de fumo, delgada, ténue e azulada,
que subiu direita até dois metros talvez, acima das cabeças para nesta
altura se esvair. Durou este fenómeno, perfeitamente visível a olho nu,
alguns segundos. Não tendo marcado o tempo da duração, não posso
afirmar se foi mais ou menos de um minuto. Dissipou-se bruscamente o
fumo e passado algum tempo voltou a repetir-se o fenómeno uma segunda
e uma terceira vez. Das três vezes e sobretudo da última, destacaram-se
nitidamente os postes esguios na atmosfera cinzenta. Dirigi para lá o
binóculo. Nada consegui ver além das colunas de fumo, mas convencido
fiquei de que eram produzidas por algum turíbulo, não agitado, em que
se queimava incenso. Depois pessoas dignas de fé afirmaram-me que
era de uso produzir-se o acontecimento no dia treze dos cinco meses
anteriores, e que nesses dias, como neste, nunca ali se queimara nada
nem se fizera fogo. No inquérito paroquial, a primeira testemunha, Jacinto
de Almeida Lopes diz que, no dia treze de outubro de mil novecentos e
dezassete, “viu, por cima do povo, que rodeava a carrasqueira, diversas
vezes, elevarem-se do solo pequenas nuvens de fumo ou que lhe pareciam
de fumo – semelhante ao fumo dum turíbulo em ocasião de incensação
ou ao fumo de cigarros. Julgou a princípio, porque se achava afastado
da carrasqueira, onde via o fumo, que era alguém que ali estava a fumar
ou a fazer uma fogueira para se aquecer, mas depois veio a averiguar
que ali não havia lume de espécie alguma. Sobre o mesmo assunto depõe
a segunda testemunha, Manuel Gonçalves Júnior, dizendo que “em treze
de outubro do referido ano, à hora designada pelas crianças para a
aparição, depois de ter cessado a chuva, viu elevar-se por várias vezes,
saíndo da carras-[42]queira, uma espécie de fumo semelhante ao fumo
de incenso em ocasião de incensação, ouvindo dizer às pessoas que
estavam a seu lado que era fumo de cigarro ou de fogueira, mas a ele só
lhe parecia o fumo igual ao da incensação, não lhe constando que naquela
ocasião houvesse ali fumadores ou fogueira de qualquer espécie.
Doc. 120 1930-04-13