482 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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categorizadas e distintos engenheiros e arquitetos, que acordou na adoção
dum anteprojeto de urbanização, que fará da vasta planície situada em
frente da entrada do recinto dos santuários uma das maiores e mais
belas cidades de Portugal. Sua Excelência o Senhor Presidente da
República, general Óscar Carmona, assim como o senhor presidente
do ministério já o tinha feito anteriormente com outras personalidades
oficiais interessadas no assunto, visitou no dia doze de maio de mil
novecentos e vinte e nove, acompanhado pelo venerando prelado de
Leiria, o local das aparições, os santuários e o sítio destinado à futura
cidade de Fátima, a Lourdes portuguesa.
O fenómeno da nuvem de fumo
Por ocasião de cada uma das aparições, elevava-se no espaço, junto
da azinheira sagrada, na Cova da Iria, uma ténue nuvem de fumo
semelhante à que costuma produzir a combustão do incenso nos atos
litúr-[41]gicos realizados no interior dos templos. Este fenómeno,
verdadeiramente extraordinário foi observado por grande número de
testemunhas, mesmo no mês de agosto, em que a autoridade
administrativa reteve os videntes, para que eles não pudessem ir ao local
das aparições. Um ilustre lente jubilado de astronomia na Universidade
de Coimbra, recentemente falecido, o doutor Gonçalo Xavier de Almeida
Garret, num interessante opúsculo que publicou com o título de “Fátima”
e o subtítulo de “A miraculosa nuvem de fumo”, diz que este facto, ao
qual talvez se tenha ligado mediana atenção, é todavia importantíssimo,
naturalmente inexplicável, e pode e deve servir de elemento de prova da
realidade das aparições na Cova da Iria. Na sua autorizada opinião, era
um fenómeno físico-químico, independente da ação nervosa do
organismo humano. No dia treze de outubro, durante a última aparição,
a nuvem de fumo tornou-se visível a grande distância e da estrada distrital
distinguia-se com a mais perfeita nitidez. Parecia sair da azinheira, envolver
os videntes e elevar-se a uma altura superior a seis metros, ocupando
uma área de cerca de seis metros quadrados. Entre a grande multidão
de pessoas que nesse dia concorreram a Fátima estiveram pessoas
conhecidas e de toda a confiança, que atestam não se ter feito lume
algum nesse local que pudesse originar a nuvem de fumo. Não consta
que, em tempo algum, antes ou depois das aparições até ao presente,
houvesse a manifestação da nuvem de fumo, no sítio da Cova da Iria, a
qualquer hora.