479
¯°±²±³´μ ¶·¸¹±·μ ¸º¸»¸°¼ ¸½ μ¾½ ²±·¿μ°, teria acabado, no dia treze de
outubro, se os homens se arrependessem e emendassem dos seus
pecados e aplacassem a justiça divina, orando e fazendo penitência. A
Lúcia enganou-se, considerando como absoluta a afirmação da Visão.
A condição, implicitamente posta por esta, não se cumpriu e por isso a
guerra não acabou. Já no Antigo Testamento Jonas se tinha enganado
fazendo, por ordem de Deus, uma profecia, que ele julgava absoluta e
que era apenas condicional. A cidade de Nínive seria destruída no dia
marcado pelo profeta, se os seus habitantes não fizessem penitência.
“Adhuc quadraginta dies et Ninive subvertetur.” A população da
cidade acreditou na ameaça, e todos, desde o rei até ao último dos seus
súbditos e até aos próprios animais, se vestiram de cilício e de cinza.
Por esse motivo Nínive foi poupada com grande admiração e até com
um certo despeito de Jonas, que, não conhecendo os desígnios
misericordiosos do Senhor, pretendia a todo o transe que a profecia se
cumprisse, para que ninguém duvidasse de que ele falara em nome e por
ordem de Deus. Coisa muito semelhante sucedeu a S. Leonardo de
Porto Maurício, o grande apóstolo da Europa na Idade Média. Na sua
pregação, anunciava o fim do mundo para dois anos depois. Chegou a
[39] ressuscitar um morto, que era levado para o cemitério, a fim de
confirmar a verdade da sua pregação. O morto assegurou que era certo
tudo quanto ele dizia. Mas os dois anos passaram, e o mundo não acabou,
porque a Europa converteu-se com as pregações de S. Leonardo de
Porto Maurício. De resto, a Virgem Santíssima podia ter permitido o
engano da Lúcia de propósito para a manter num espírito de profunda
humildade pela confusão que para ela advinha do facto de ter errado,
pelo menos aparentemente, num ponto de capital importância. Nem a
circunstância de ter caído num equívoco obsta a que os seus depoimentos
mereçam todo o crédito. Esse equívoco tinha a sua razão de ser
providencial e de modo nenhum embaraçava, como de facto não
embaraçou, o curso regular dos acontecimentos, que fizeram de Fátima
a Lourdes Portuguesa. 5ª - A Aparição anunciou que a guerra devia
acabar no dia 13 de outubro de mil novecentos e dezassete, se os
dirigentes de todos os povos beligerantes tivessem sinceros e vivos
desejos duma paz justa e honrosa e a voz do Vigário de Cristo na terra
fosse ouvida. O jornal francês “Le Matin”, no seu número de catorze de
agosto de mil novecentos e vinte, falando dos segredos do governo,
publica a carta de M. Briand a M. Ribot, ministro dos negócios
estrangeiros, em que ele formulava, a vinte de setembro de mil novecentos
e dezassete, as condições em que o antigo presidente do conselho teria
Doc. 120 1930-04-13