478 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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Estado à Igreja e de que era teatro todo o território da República. Ora
foi precisamente quando esta luta formidável e sem tréguas atingia o seu
período mais agudo que a Augusta Rai-[38]nha do Céu, a Imaculada
Padroeira da nossa terra, se dignou aparecer num recanto ignorado da
serra de Aire, no centro geográfico do país, para aí estabelecer um foco
intenso inesgotável de vida espiritual. A decadência moral e religiosa da
sociedade portuguesa, sobretudo depois da queda do antigo regime,
por motivo da perseguição à Igreja, acentuou-se duma maneira pavorosa,
especialmente nos grandes centros, produzindo uma larga sementeira
de males de toda a ordem. Foi decerto para obviar a estes males e para
opôr um dique à onda assoladora da impiedade e da desmoralização,
que alastrava sem peias, mercê da complacência das autoridades, que a
Virgem Santíssima suscitou uma nova Lourdes na terra de Santa Maria.
Mas, para que se visse dum modo bem patente a eficácia da sua
intervenção, era preciso que a guerra religiosa cessasse, ou pelo menos
abrandasse os seus furores. E com efeito assim sucedeu. Enquanto os
humildes videntes de Aljustrel contemplavam na charneca de Fátima a
inefável Visão, durante seis meses consecutivos, desde maio a outubro,
os dois meses consagrados dum modo especial pela Igreja e pela piedade
dos fiéis ao culto da Rainha dos Anjos, uma plêiade de homens valorosos
e amigos da verdadeira liberdade procurava pôr termo à tirania que
esmagava os portugueses e preparar o advento de dias melhores para a
pátria querida. A oito do mês de dezembro seguinte, dia da Imaculada
Conceição, padroeira de Portugal, passado pouco mais dum mês depois
da última aparição, o Major Sidónio Pais vence definitivamente os seus
inimigos e proclama o regime da República nova. Imediatamente são
reatadas as relações entre a Igreja e o Estado para nunca mais até hoje
serem interrompidas. Um decreto de Moura Pinto, ministro da justiça
de Sidónio Pais, que foi Chefe do governo e depois Presidente da
República, veio pôr termo às lutas religiosas e [38v] preparar a liberdade
da Igreja com a renúncia, por parte do Estado, a uma intromissão
opressora na sua organização interna. E desde esse momento, não
obstante os inimigos da Religião terem mais tarde ascendido de novo às
culminâncias do poder, nunca mais foram renovadas contra a Igreja as
medidas draconianas promulgadas pelos governos anteriores a Sidónio
Pais. 4ª - AAparição queria que se rezasse o terço e se fizesse penitência
para que Deus se dignasse pôr termo ao grande flagelo da guerra que
assolava tantas nações, produzindo milhões de vítimas e semeando por
toda a parte toda a sorte de ruínas morais e materiais. Anunciou que o