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tempo mais ou menos longo, às vezes até de milhares de anos, assim
também a palavra “hoje” tem com frequência o mesmo valor que o
advérbio “brevemente”. Desde o momento em que se aceite esta
interpretação, a ninguém é lícito negar que a profecia se tivesse verificado
com rigor, porque, durando a guerra havia três anos e cessando, como
de facto cessou, em virtude do armistício, cerca dum ano depois do dia
treze de outubro, era verdade dizer-se nesse dia que acabava
“brevemente”. 2ª - O advérbio “hoje” pode significar o mesmo que a
expressão “nesta ocasião” ou “nesta altura”, mas só daí a um ano. É que
nesse dia a guerra estava, por assim dizer, no seu auge. As notícias
provenientes do campo de batalha, recebidas por meio de telegramas
publicados nos jornais, falavam ainda na véspera do dia treze de
importantes operações militares que se estavam desenrolando e que
não podiam ter o seu desfecho no dia seguinte com a suspensão definitiva
das hostilidades. A guerra só poderia acabar no dia seguinte, mediante
um prodígio estupendo, uma intervenção brusca, violenta, fulmi-
[37v]nante, do poder divino, que paralisasse por completo a ação
consciente e livre dos agentes humanos. Sobre a terra não havia nenhuma
entidade que de tanto fosse capaz. Ora nada, absolutamente nada,
tornava indispensável um prodígio desta ordem. Ninguém tinha o direito
de o esperar, segundo o princípio teológico-filosófico, absolutamente
consagrado, “miracula non sunt multiplicanda sine necessitate”.
Tudo, pelo contrário, fazia prever que a guerra havia de continuar com
mais ou menos intensidade durante algum tempo, e até as pessoas mais
propensas a crer na sobrenaturalidade das aparições entendiam que a
profecia da vidente não devia ser interpretada à letra, significando apenas
que a guerra teria o seu termo num prazo mais ou menos curto. 3ª - A
profecia pode referir-se principalmente à guerra religiosa desencadeada
em Portugal e só secundariamente à grande guerra europeia. A
circunstância das aparições se realizarem no nosso país e decerto
sobretudo para bem dos portugueses, parece autorizar esta
interpretação. Havia oito anos que a Santa Igreja era cruelmente oprimida
pelos poderes públicos. A guerra religiosa ateada pelo governo provisório
com os decretos tirânicos que tinha promulgado, enchera de ruínas morais
e sociais a infeliz nação portuguesa. A supressão da embaixada junto da
Santa Sé, a interrupção das relações diplomáticas com a mais alta
potência moral do mundo, o desterro dos bispos depois de expulsos
dos seus paços, a usurpação dos bens eclesiásticos, a proibição dos
atos do culto público, enfim a supressão de toda a liberdade religiosa
Doc. 120 1930-04-13