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O glorioso Pontífice, felizmente reinante, Sua Santidade o Papa Pio
XI, recebendo no dia 9 do mês de janeiro de mil novecentos e vinte e
nove, em audiência particular, os superiores e alunos do Colégio Português
em Roma, dignou-se presentear cada um deles com duas lindas estampas
de Nossa Senhora de Fátima – uma para eles e outra para suas famílias
– com a recomendação de orarem pelo Papa. O grande e excelente
diário católico de Lisboa “Novidades”, no seu número de vinte de janeiro
do mesmo ano, inseria uma extensa carta de Itália, subordinada à epígrafe
“Fátima em Roma” e tendo por subtítulo “Uma oferta do Papa”, em que
se descrevia esse gesto do Supremo Hierarca da Igreja que, seja qual
fôr o seu significado, tem, em relação aos acontecimentos maravilhosos
da Lourdes Portuguesa, o mérito de conter em respeito os [36]
adversários leais e de impôr ao menos um silêncio deferente e obsequioso
aos poucos e cada vez mais raros contraditores no campo católico. É
certo que, com esse ato singelo, embora altamente significativo, o Sumo
Pontífice não pretendeu emitir o seu juízo definitivo acerca da natureza
desses acontecimentos, mas também não sofre dúvida que ninguém
poderá recusar-se a ver nesse ato a manifestação da viva simpatia do
Augusto Chefe Visível da Cristandade pela “Pérola de Portugal”, como
ainda há pouco chamava a Fátima a revista espanhola “Sal Terrae”, uma
das mais acreditadas no país vizinho. E tanto se impõe essa atitude do
Vigário de Cristo na terra, atitude de modo nenhum banal e insignificante,
que um ilustre Prelado, de grande autoridade pela sua virtude e saber,
não hesitou em classificar tal facto, que ficará arquivado em letras de
ouro nos anais de Fátima, como uma verdadeira “aprovação implícita”.
No mês de dezembro do mesmo ano, a pedido dos superiores e alunos
do Colégio Português em Roma, Sua Santidade dignou-se benzer uma
linda estátua de madeira de Nossa Senhora de Fátima, feita e oferecida
pelo escultor português José Ferreira Tedim para o altar-mor da nova
capela do Colégio Português em Roma. Sua Excelência Reverendíssima
o Sr. D. Domingos, da Ordem de S. Domingos, venerando Bispo de
Portalegre, era talvez o único Prelado português que se mostrava renitente
em autorizar o culto público de Nossa Senhora do Rosário de Fátima
na sua diocese. Depois da visita que fez ad sacra limina no meado do
ano mil novecentos e vinte e nove, cessaram todos os seus escrúpulos e
não só deu licença para se prestar culto nas igrejas e capelas públicas
do seu bispado a Nossa Senhora do Rosário sob a invocação de Fátima,
Doc. 120 1930-04-13