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¡¢£ ¤ ¤ ¡¥ ¤ ¡ £ ¦§ ¤¨§ 25, dia da quarta aparição, depois dos tristes
episódios de Ourém, a Lúcia pediu à Senhora um milagre para que o
povo acreditasse, e Ela disse que no último mês faria um sinal no sol e
que todos haviam de acreditar. Depois do que se passara na sede do
concelho e em face das dúvidas que tantas pessoas manifestavam acerca
da realidade e sobrenaturalidade das aparições, era natural que a Lúcia
se lembrasse de pedir à Senhora uma prova evidente de que ela não era
mentirosa, como muitos pretendiam. Se não se lembrou, decerto alguém
a aconselharia a fazer esse pedido. No dia treze de setembro, a Lúcia
insistiu pelo cumprimento da promessa. Eis as palavras textuais que
constam do relatório a fls. 526: “Pedi outra vez [29] que fizesse um milagre
para o povo acreditar, porque diziam que eu era uma intrujona que devia
ser enforcada e queimada. A Senhora deu-me a mesma resposta da
outra vez”. O terceiro ponto e em si mesmo de nula ou insignificante
importância, mas serve admiravelmente para mostrar a delicadeza de
consciência e o escrúpulo que a Lúcia teve em todo o seu longo
depoimento, para que não escapasse nenhuma inexatidão, por mais
pequena que fosse. No princípio do interrogatório, a fls. 127, depois da
pergunta do estilo: “Quando fizeste a primeira Comunhão?”, está exarada
esta resposta: “Fiz a minha primeira Comunhão aos sete anos; o senhor
Prior não ma queria dar por eu ser muito pequena, mas por fim fez-me
a vontade, a pedido do senhor Padre Pena”. Ou porque a vidente não
se exprimiu com suficiente clareza, ou porque as palavras lhe atraiçoassem
o pensamento ou enfim porque o notário não ouvisse ou não
compreendesse bem a resposta, a última parte dela, acima sublinhada,
era inexata. Quando, depois de ter acabado de fazer as suas declarações,
lhe foi lido pelo notário o seu depoimento, ela achou tudo conforme a
verdade, exceto na resposta à pergunta acerca da sua primeira
Comunhão, porquanto, como ela mesma diz, “o senhor Prior é que se
chamava padre Pena e era ele que lhe recusava a comunhão por a achar
muito nova, mas por fim cedeu às suas instâncias por ver que sabia o
catecismo”. Feliz engano, que foi ocasião de se obter uma contraprova
de peso considerável em favor da sinceridade perfeita e da minuciosa
exatidão das declarações da vidente!
25 Cf. nota 3.
26 Trata-se do interrogatório a Lúcia, no dia 8 de julho de 1924 (cf. Doc. 82).
27 Cf. nota 26.
Doc. 120 1930-04-13