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no episcopado o felicitou por estar sujeita à sua jurisdição a futura Lourdes
portuguesa. O motivo dessas felicitações era para o venerando Antístite
mais uma fonte de preocupações e responsabilidades. Por isso uma
sombra de tristeza toldou-lhe o espírito, ao ouvir essas palavras de
parabéns, que lhe recordavam um dos espinhos mais agudos do seu
múnus episcopal. Quando um membro do clero do Patriarcado, a quem
o Excelentíssimo Senhor Arcebispo de Mitilene, na ausência do
Eminentíssimo Senhor Cardeal Patriarca, tinha encarregado de
acompanhar de perto e estudar os acontecimentos de Fátima, se dirigiu
a Leiria, um mês depois que Sua Excelência Reverendíssima tomou posse
da sua Sé episcopal, para o cumprimentar e receber as suas instruções
sobre a orientação dos trabalhos relativos à propaganda de Fátima,
pôde facilmente descobrir, entre as demonstrações cativantes de bondade
e gentileza, uma frieza e uma indiferença difíceis de disfarçar por tudo o
que interessava ao fim principal da vi-[26v]sita. Um mês depois, o
venerando e saudoso pároco do Olival e vigário da vara de Vila Nova
de Ourém, escrevia-lhe, após uma entrevista que tivera com o
Excelentíssimo Prelado, dizendo que ele, posto ao corrente de tudo
quanto se tinha passado na Cova da Iria, reconhecera claramente o
dedo da Providência suscitando tantas maravilhas e, longe de criar
obstáculos à propaganda de Fátima, a permitia de bom grado,
ressalvando porém, como não podia deixar de ser, os direitos do
magistério eclesiástico quanto à apreciação da natureza dos sucessos
reputados maravilhosos. Desde esse momento, a ação desenvolvida pelo
ilustre e incansável Prelado tem sido verdadeiramente colossal. Que o
diga a intensificação da propaganda pró Fátima que tem chegado aos
recantos mais afastados de Portugal e até aos confins do mundo. Que o
diga a difusão do mensário “Voz da Fátima”, pregoeiro das glórias da
Virgem, cuja tiragem se eleva a muitas dezenas de milhar de exemplares
e cuja circulação não é igualada por nenhuma outra publicação
congénere. Que o diga a majestade e imponência das grandiosas
manifestações de Fé e piedade, realizadas no recinto das aparições.
Que o diga o zelo admirável que dedica à Obra de Fátima, promovendo
a construção dos santuários da Cova da Iria e dos seus anexos, tomando
parte nas grandiosas manifestações de Fé, esforçando-se por coibir toda
a sorte de abusos, fomentando a fé e a piedade dos peregrinos,
organizando a obra dos retiros, instituindo a Confraria de Nossa Senhora
do Rosário e as Associações de servos e servas de Nossa Senhora do
Rosário, fundando um albergue para os peregrinos e proporcionando
Doc. 120 1930-04-13