458 DCF - Seleção de documentos (1917-1930)
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republicana desta vila e outras vindas de Tomar e de Torres Novas, que
foram obrigados a ir ao local da Fátima, visto a consciência da seriedade
e do papel que iam desempenhar os oradores! Então, srs. ministros do
Interior e da Guerra, as tropas republicanas desviam-se dos seus serviços
para guardar as costas aos srs. republicanos? Foi um verdadeiro fiasco,
já a conferência no Centro, e muito maior no lugar de Fátima, onde os
oradores tiveram de desistir, visto que o povo do concelho, por desprezo,
não concorreu ao local, não obstante tanto convite que lhe foi feito, pois
que ali só apareceram oito pessoas para os ouvirem, à exceção de grande
número de mulheres que à sua chegada entoaram o Bendito, voltando-
lhes logo as costas. Eis pois, o paralelo entre os dias treze de outubro e
dois de dezembro. Por isso lhes dizemos: outro ofício, e a quem vos
convidou, para a sensaboria que apanharam e o susto, quando no trajeto
de regresso a esta vila foram mimoseados com algumas pedradas, pelo
que o sargento comandante da força teve que fazer fogo.”
O segundo atentado foi cometido no dia seis de março de mil
novecentos e vinte e dois, alta madrugada. O receio das explosões da
cólera popular levou os criminosos a executar o seu horrível desígnio
com o favor das sombras da noite. Recaem fundadas suspeitas sobre
alguns indivíduos de Lisboa, Santarém e Vila Nova de Ourém, indigitados
[24v] como promotores, executores e cúmplices do nefando atentado e
cujos nomes se citam. Os desgraçados arrombaram a porta da capela e
a golpes de alvião abriram quatro buracos nas paredes, a distâncias
iguais, dois palmos acima do pavimento, introduzindo em cada um deles
uma bomba de grande potência. Essas quatro bombas rebentaram,
comunicando o fogo ao madeiramento do teto fazendo-o abater. Uma
quinta bomba foi colocada na cova, em que se encontra a raíz da azinheira
sobre a qual, no dizer dos videntes, pousavam os pés da Aparição, mas
não explodiu. As paredes da capela, embora bastante danificadas, ficaram
de pé. AAssociação do Registo Civil e a Federação do livre Pensamento
editaram um longo panfleto com a epígrafe: “Aos liberais portugueses” e
as subepígrafes: “A reação campeia desenfreada! !! Contra a torpe
especulação feita com a comédia ridícula de Fátima protestam
energicamente a Associação do Registo Civil e a Federação Portuguesa
do Livre Pensamento”20.
20 O relator equivoca-se ao datar o panfleto depois do atentado de 6 de março de
1922. O panfleto refere-se ao dia 13 de outubro de 1917 (cf. Doc. 27).