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a todo o custo as imponen-[20v]tes manifestações de Fé e piedade a
que elas davam lugar. Um desses meios, aliás já utilizado sem êxito em
Lourdes, foi o lançamento pelo país inteiro duma larga rede de fictícias
visões e aparições celestiais. E desde então até hoje jamais cessaram as
maquinações do espírito das trevas, procurando arrastar nas malhas
dessa rede as massas populares, ignorantes e facilmente crédulas,
servindo-se para a execução dos seus planos de auxiliares ambiciosos,
interesseiros e sem escrúpulos. Barral, Alcanhões, Póvoa de Santarém,
Estremoz, Póvoa de Varzim, Estarreja, Bitarães, Abelheira e Constância
são outras tantas malhas dessa rede que, mercê da má-fé dalguns e da
ignorância e espírito supersticioso de muitos outros, têm forçado a
autoridade eclesiástica a adotar medidas severas, mas justas e
necessárias, para pôr cobro a explorações ignóbeis que redundavam
em desprestígio e menosprezo da Religião. Essas manifestações pseudo-
-sobrenaturais, que provocaram grandes levantamentos de povo durante
muitos dias, caíram todas por si, desaparecendo como que por encanto,
depois de tanta excitação e de tanto entusiasmo, por não terem a fecundá-
-las a seiva divina que alimenta Lourdes e que alimenta Fátima. A moeda
falsa desaparece depressa da circulação.
A oposição do clero
Os acontecimentos extraordinários de Fátima, na época das aparições
e durante os primeiros anos que se lhes seguiram encontraram o clero
português ocupando várias posições em face deles. A grande maioria
dos ministros da Igreja conservava-se numa expetativa de absoluta
indiferença e de extrema frieza, considerando a raridade das aparições
sobrenaturais [21] e a dificuldade de provar a sua origem divina. Um
número bastante apreciável de sacerdotes guardava, juntamente com a
prudente reserva que a Igreja aconselha perante factos desta natureza
uma espetativa benévola, mas desacompanhada de qualquer intervenção
no desenrolar dos sucessos. Ninguém poderia afirmar com sombra de
verdade que o clero, mais interessado que nenhuma outra classe da
sociedade no que se estava passando, concorresse em qualquer medida,
por mais insignificante que fosse, com o seu trabalho, com o seu apoio
material ou moral ou sequer com o seu incitamento e aplauso, para a
solução do caso de Fátima num sentido favorável aos interesses da Igreja.
Alguns dos seus membros até, levando longe de mais a necessidade de
acautelar o prestígio da Religião, atacaram desde logo o caso de Fátima
Doc. 120 1930-04-13