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promovendo inquéritos cujos resultados a habilitassem a pronunciar-se
com segurança sobre a origem e a natureza desses acontecimentos. Na
época das aparições, a Santa Sé já tinha restaurado a diocese de Leiria,
suprimida nos fins do século passado durante a vigência do regime
monárquico, por acordo entre o Sumo Pontífice e o Real Padroeiro. A
nomeação do primeiro Bispo da diocese restaurada devia demorar ainda
algum tempo. Entretanto o governo eclesiástico achava-se repartido entre
o Patriarcado de Lisboa e o Bispado de Coimbra, dioceses às quais
estavam anexados os dois tratos de território de que ela se compunha.
A região de Fátima fazia parte da circunscrição eclesiástica do sul, o
Patriarcado de Lisboa. Presidia então aos destinos da primeira diocese
portuguesa em dignidade o excelentíssimo e reverendíssimo Senhor D.
João Evangelista de Lima Vidal, Arcebispo de Mitilene e Vigário Geral,
na ausência do Eminentíssimo Cardeal Patriarca, D. António Mendes
Belo18. Em ofício [19v] datado de três de novembro de mil novecentos
e dezassete, e junto ao processo, o venerando prelado ordenava ao
pároco de Fátima, reverendo Manuel Marques Ferreira, que procedesse
a um inquérito consciencioso sobre os factos ocorridos na paróquia a
seu cargo, no dia treze do mês de outubro anterior, ouvindo testemunhas
fidedignas e principalmente as crianças que se diziam favorecidas de
graças singulares do Céu. No dia vinte e oito de abril de mil novecentos
e dezanove, o relatório do inquérito, acompanhado dum ofício, é
finalmente remetido ao venerando Prelado. Consta de dezassete folhas
e contém os depoimentos dos três videntes e de mais quatro pessoas
que foram testemunhas presenciais dos acontecimentos. Por ofício datado
do mesmo dia, o Senhor Arcebispo incumbiu o rev.do Vigário de Porto
de Mós de proceder a um inquérito semelhante, de que ele dá contas
em onze de novembro de mil novecentos e dezassete em documento
que consta de cinco folhas e contém os depoimentos de dezasseis
testemunhas ajuramentadas aos Santos Evangelhos. No dia três de maio
18 D. António Mendes Belo nasceu em Gouveia a 18 de junho de 1842. Em 27 de
novembro de 1883, foi nomeado Vigário Geral do Patriarcado de Lisboa e foi
sagrado Arcebispo de Mitilene no dia 27 de abril de 1884. No dia 20 de novembro
de 1907, foi nomeado Patriarca de Lisboa. A 28 de dezembro de 1911, o governo
republicano expulsou-o do distrito de Lisboa, tendo ido viver para Santarém,
sendo expulso, segunda vez, em agosto de 1917. Em dezembro, o governo de
Sidónio Pais revogou o decreto de expulsão. Governou o patriarcado até à sua
morte, a 5 de agosto de 1929.
Doc. 120 1930-04-13