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ali, e para atender os pedidos de inúmeros fiéis que mais tarde de toda
a parte solicitavam continuamente remessas de água por mera devoção
ou para a cura de enfermidades próprias ou alheias, era absolutamente
necessário que na Cova da Iria houvesse água e água com abundância.
Mas num raio de muitos quilómetros não aparece água na Fátima senão
em pequena quantidade proveniente da chuva e recolhida em lagoas,
poços e cisternas. Por isso uma comissão de habitantes daquela
povoação tomou a iniciativa de mandar proceder a sondagens nos
terrenos adjacentes à capela comemorativa das aparições. A primeira
sondagem foi feita em nove de novembro de mil novecentos e vinte e
um, depois da primeira missa campal, a dis-[12v]tância de quarenta
metros da capela. Tendo começado os trabalhos de manhã, ao meio-
-dia já todos os operários saciavam a sede com a água que jorrou
abundante da rocha viva. Nos últimos meses de verão a água quase
desapareceu, depois que recomeçaram os trabalhos destinados a tornar
maior a capacidade do poço, vendo-se apenas lacrimejar uma das
paredes. Em princípios de novembro de mil novecentos e vinte e dois,
concluídas as obras do primeiro poço, que tem agora muitos metros de
profundidade, a água límpida da nascente, rebentando com força, em
seguida às primeiras chuvas do outono, encheu totalmente o vasto
reservatório, como tiveram ocasião de ver os numerosos fiéis que em
treze desse mês visitaram o lugar das aparições. Nos últimos anos, por
ordem da autoridade eclesiástica, foram abertos mais dois poços, um
de cada lado do poço primitivo, os quais fornecem água abundante que
chega para satisfazer a sede dos peregrinos e as exigências da sua
devoção, para as obras que incessantemente se estão realizando no
local das aparições, para as necessidades da população, já numerosa,
da povoação da Cova da Iria e até para ser expedida em latas para
muitas terras de Portugal e do estrangeiro. Coisa singular! O segundo
poço, mais largo e mais fundo que o primeiro, foi mandado fazer para
receber as águas que no inverno transbordavam, como era costume, do
poço primitivo. Logo que ficou concluído, a meia altura e no fundo,
jorrou água em tanta quantidade que o encheu por completo dentro de
poucas horas. Nos primeiros tempos após as aparições, muitas pessoas
que não acreditavam na sobrenaturalidade dos acontecimentos
maravilhosos, e entre elas alguns sacerdotes, protestavam que só
acreditariam se, naquele terreno árido e estéril, aparecesse água, como
apareceu em [13] Lourdes, junto do rochedo de Massabielle. A realização
daquilo que reputavam impossível abalou profundamente, como era
Doc. 120 1930-04-13